Atenção na hora de fazer a tattoo

Atenção na hora de fazer a tattoo

Publicado em 16/05/2018 por Revista algomais às 15:03
Com 11 tatuagens no corpo, Roger de Renor disse que ao fazer a primeira teve receio de sentir dor, sintoma que até hoje não há como evitar. Foto: Tom Cabral

Não é de hoje que a tatuagem faz a cabeça de uma galera que curte desenho e procura por meio dessa arte afirmar no corpo sua identidade. Desde antes de Cristo, a prática já era difundida no Egito e em alguns países da Ásia e Oceania. Aos poucos, popularizou-se e é cada vez mais comum encontrar adeptos. Mas, é preciso ficar atento para os cuidados na hora de fazer a tattoo.

O dermatologista André Rosa, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, destaca três pontos a serem levados em consideração ao se tatuar. Primeiro, a área da pele, que precisa estar saudável e não ter sofrido lesão ou ferimento. Depois ter certeza do que se quer desenhar, para não se arrepender e precisar pagar mais caro para fazer a retirada da tattoo. Por último, mas não menos importante, se perguntar: o estúdio de tatuagem obedece às normas da Vigilância Sanitária? O órgão é responsável por orientar e assegurar a esses locais o cuidado com a limpeza dos equipamentos e do ambiente.

O ideal é fazer uma consulta a um dermatologista que vai investigar se o candidato a receber a tatuagem possui reação alérgica a algum componente químico da tinta usada para fazer o desenho. “O médico pode também orientar sobre o melhor local para se tatuar, após observar a saúde da pele”, ressalta Rosa.

Infelizmente, ainda não foi inventado um medicamento eficaz para anestesiar aquela “dorzinha” na hora de se tatuar, quando pode ocorrer até sangramentos. O produtor cultural, Roger de Renor, 55, que estampa pelo corpo nada menos que 11 tatuagens, lembra-se do medo que sentiu ao fazer a primeira delas. “Como não sabia se iria doer muito, tomava uísque para aliviar a dor”, brinca.

Apesar de não existir restrições quanto a parte do corpo a ser tatuada, algumas regiões podem doer mais que outras, por isso alguns tatuadores evitam na primeira ocasião, tatuar lugares, como na costela e no pulso. Além disso, os locais expostos ao sol são mais difíceis de cicatrizar. Os ombros e braços, por exemplo, que recebem de imediato a radiação solar, precisam ser hidratados com cremes de ação cicatrizantes, cuja indicação deve ser específica para a região do corpo e o tipo de tatuagem (colorida ou preta, grande ou pequena). Depois de feita a tattoo, é recomendado um período de 20 dias sem muita exposição ao sol para evitar possíveis problemas com a cicatrização.

Renor conta que depois de tantos desenhos, o cuidado que tem com as tatuagens são os mesmos com a exposição ao sol. “Uso o famoso filtro solar. Como sou muito branco e levei muito sol até os 20 anos, tenho essa atenção com a pele para além da conservação das tattoos”, diz. Para quem tem problemas como acnes e espinhas, o cuidado com o sol deve ser redobrado, sendo, inclusive, indicado evitar se tatuar nessas regiões.

Pessoas com tendência à queloide (cicatriz saliente que aparece após a cura de um ferimento) também precisam ficar espertas, pois ao fazer tatuagem podem surgir no processo de cicatrização essas indesejáveis marcas. O gerente de um lar para idosos, Adrian Albuquerque, 27, conta que depois de machucar a mão e o joelho apareceu queloide nas regiões e, após ter feito a primeira tatuagem, ficou uma cicatriz saliente no local do desenho. “A tattoo ficou até deformada”, lamenta.

Hoje, com seis tatuagens, ele admite não ter sinalizado ao tatuador sua tendência à queloide e na hora de fazer o desenho ele pode ter feito força demais e ferido a pele. “Depois dessa primeira tattoo, fiquei com receio de fazer outras, mas troquei de profissional e passei a avisar antes ao tatuador sobre a facilidade que tenho de ter esse tipo de cicatriz”, justifica Albuquerque.
André Rosa adverte que não há como prever se uma pessoa possui predisposição a essas cicatrizes, exceto quando já tenha tido uma ferida, como foi o caso de Adrian Albuquerque. “Geralmente a queloide não exige tratamento, mas é possível prescrever um sabonete líquido antibacteriano e pomada indicada pelo dermatologista para minimizar o alto relevo do desenho”.

Não existe restrição de idade para se tatuar, porém menores de 18 anos precisam de autorização dos pais. Idosos por apresentam a pele mais fina, na hora de receber a pigmentação podem sentir dores mais fortes, ter sangramentos e dificuldade para cicatrização. Por isso, André Rosa reforça, nesses casos, a necessidade do acompanhamento de um dermatologista.

André Rosa orienta que após imprimir a tatuagem na pele, deve-se permanecer 20 dias sem muita exposição ao sol.

PARA QUEM SE ARREPENDEU
Até um tempo atrás, quem se arrependia de fazer uma tattoo precisava optar por um método de retirada doloroso chamado dermoabrasão e salabrasão, em que se esfregava a pele com sal. Hoje, existem lasers com essa função, como o Nd: YAG Q-Switched. “Após anestesiar o local, o dispositivo emite uma série de pulsos de alta energia no local da tatuagem e é feita a aplicação ponto a ponto, com ajuste de 10 disparos por segundo na região desenhada”, explica Rosa.

O processo de retirada é mais oneroso do que fazer a tatuagem e o tempo dispendido para eliminar todo o desenho depende da cor utilizada. “A coloração preta é a mais fácil de ser retirada. Geralmente, as que dão mais trabalho são as cores azul piscina, verde e amarela”, observa Rosa. A duração da seção vai depender também da localização, da tinta usada e do tempo que foi feita a tattoo. O dermatologista recorda que já teve paciente na vigésima seção e mesmo assim não conseguiu tirar todo o desenho.

Atenção especial também para a escolha do estúdio em que for feita a tatuagem. “Muitos tatuadores abrem seus negócios sem ser licenciados, e isso repercute na população, pois ela pode estar correndo riscos sanitários”, adverte Rozimare Sales, coordenadora da Vigilância Sanitária do Recife.

Segundo Rozimare, é necessário que os materiais passem por uma fiscalização para garantir, por exemplo, que as tintas sejam antialérgicas e registradas na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O órgão também proíbe o uso de luvas importadas, sem a certificação do Brasil, e fiscaliza se o ambiente oferece condições necessárias para a realização daquele trabalho, como o acesso ao saneamento básico. Outros cuidados que devem ser observados: se as agulhas são descartáveis, se os equipamentos são lavados com detergente enzimático, depois enxaguados, secados e embalados em papel grau cirúrgico, afim de garantir a esterilização completa. “Quando não são obedecidos esses cuidados, o cliente pode correr risco de transmissão de doenças, como sífilis, HIV e Hepatite C”, alerta Rozimare.

*Por Paulo Ricardo Mendes (algomais@algomais.com)

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