Banhos de sol no distanciamento social?

Banhos de sol no distanciamento social?

Publicado em 21/05/2020 por Revista algomais às 16:33
Sociedade Brasileira de Dermatologia aponta recomendações de saúde a serem seguidas no contexto da pandemia da Covid-19 e alerta sobre cuidados a serem seguidos

O distanciamento social, que vem aumentando no Recife após o início do lockdown, pode afetar a dieta, o nível de atividade física e a frequência e a intensidade de exposição solar dos indivíduos, comprometendo os níveis de vitamina D no organismo. Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lançou nota sobre a relação da vitamina D, o sistema imunológico e a covid-19, para esclarecer a população como se dá e informar as recomendações de saúde a serem seguidas neste momento.

Segundo a SBD, as principais fontes nutricionais de vitamina D são alimentos ricos em gordura, como ovos, peixes, leite integral, fígado, queijo, cogumelos, suco de laranja, iogurte, manteiga, além dos alimentos enriquecidos pela indústria. No entanto, a dieta isolada dificilmente fornece as doses diárias de vitamina D necessárias, já que mais de 80% dela é produzida na pele após exposição solar leve e habitual. Ou seja, em atividades como caminhadas, pendurar a roupa no varal, levar o lixo na rua ou quando o sol toca a pele dos indivíduos dentro de casa através da janela aberta.

De acordo com a médica Deborah Castro, membro da SBD e atuante no Hospital do IMIP e no NID Dermatologia, banhos de sol intencionais não são recomendados para a população que está isolada em casa. “Estudos mostram que a exposição solar não intencional, por 10 minutos diários, é suficiente para a produção adequada de vitamina D, inclusive em dias nublados e chuvosos. A síntese dessa vitamina é muito mais complexa do que apenas tomar banho de sol e envolve diversos fatores, que passam pelo fígado e pelos rins. Se, por algum motivo, o paciente estiver com uma hipovitaminose D, ele precisa procurar um médico e buscar reposição oral dessa vitamina supervisionada”, afirma. De acordo com a SBD, não existe nenhum protocolo seguro para exposição solar intencional como fonte confiável de reposição de vitamina D, porque os resultados dessa exposição são imprevisíveis e não-reprodutíveis.

A dra. Deborah Castro afirma ainda que não é necessário deixar de lado a proteção solar para ter uma boa produção de vitamina D. “É importante destacar que a síntese de vitamina D não sofre prejuízo pelo uso de filtro solar e também não é necessário expor todo o corpo ao sol, apenas rostos e mãos, por exemplo, já são suficientes para que a síntese vitaminosa seja feita”, pontua. Além de não ser necessário criar situações de exposição solar, deve-se evitar ainda mais os horários das 10h às 15h, já que são os horários de maior intensidade da luz solar, que mais podem provocar problemas na pele como manchas, aparecimento de sinais, o envelhecimento precoce e até o surgimento de câncer.

De forma geral, a SBD recomenda à população, como parte de um conjunto de medidas que visam à promoção da saúde e à prevenção de doenças, a adoção de ações como manter uma alimentação balanceada, praticar atividades físicas regularmente, buscar a exposição ao sol na rotina diária, mas protegendo as áreas de maior incidência solar com filtro solar e vestimentas/chapéu, nos horários com maior irradiação UVB (10-15h). Em caso de deficiência de vitamina D, pode haver suplementação oral, mas sob supervisão médica.

A Sociedade salienta que, até o momento, não há evidências científicas robustas que atestem que a ingestão de vitamina D tenha efeitos protetor, preventivo ou curativo mais expressivos em relação ao novo coronavírus ou à Covid-19. Os achados identificados devem, portanto, ser analisados e outros estudos realizados para verificação dessa hipótese com rigor metodológico científico.

Como disposto na nota da SBD: “Entende-se que a percepção de insegurança ou vulnerabilidade percebidas em parcela importante da população reforça a busca por soluções efetivas “a qualquer custo” para o problema enfrentado, bem como abre espaço para que propostas carentes de embasamento técnico e científico tenham visibilidade. Esse contexto de resultados inconclusivos quanto às intervenções profiláticas, leva a SBD a manter sua recomendação de que os brasileiros, acima de tudo, façam adesão à restrição de contato social, ao reforço aos hábitos de higiene e sejam submetidos à testagem sistemática nos sintomáticos e seus contatos como forma de prevenir o aparecimento de novos casos e o avanço da Covid-19”.

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