Nova pesquisa revela ligação entre distúrbios do sono e enxaqueca

Nova pesquisa revela ligação entre distúrbios do sono e enxaqueca

Publicado em 29/11/2017 por Revista algomais às 10:09
Pixabay

A Allergan plc (NYSE:AGN), líder global da indústria farmacêutica comprometida com o avanço da ciência da enxaqueca, anuncia os resultados de um importante estudo com 12.810 portadores de enxaqueca nos Estados Unidos. O estudo foi parte de uma subanálise transversal do estudo Chronic Migraine Epidemiology and Outcomes (CaMEO, Epidemiologia e Desfechos Clínicos da Enxaqueca Crônica), com o objetivo de avaliar a relação entre distúrbios do sono e apneia do sono com comorbidades da enxaqueca crônica (EC) e enxaqueca episódica (EE). Os dados mostraram que as pessoas que sofrem de enxaqueca correm o risco de desenvolver distúrbios do sono, tais como apneia do sono (respiração irregular ou superficial durante o sono)[i], sonolência[ii], sono inadequado[iii] e ronco[iv] 1-4.

Os resultados foram apresentados no 59o Encontro Científico Anual da Sociedade Americana de Cefaleia (AHS) 2017, realizado em Boston, Estados Unidos, e no 3o Congresso da Academia Europeia de Neurologia (EAN) 2017, realizado em Amsterdã, Holanda 1,2.

“Ter um bom sono noturno é essencial para a nossa saúde e o nosso desempenho em atividades sociais cotidianas, bem como no trabalho3. O estudo CaMEO sugere que muitos portadores de enxaqueca crônica acumulam desgastes duplos da doença: ter de aguentar os efeitos incapacitantes da enxaqueca e quinze ou mais dias de cefaleia por mês e ainda tratar das consequências dos distúrbios do sono1,2,5”, explica a neurologista Maria Eduarda Nobre, Doutora pela Universidade Federal Fluminense, membro da Academia Brasileira de Neurologia, da Sociedade Brasileira de Neurologia e da International Headache Society.

Entre os pacientes que sofriam de EC (n=1.111), 52% estavam em risco de ter apneia do sono com base no ‘Questionário de Berlim’ para apneia do sono1,2. De todos os que responderam ao questionário, 10% informaram sofrer de apneia do sono (n=1.293), dos quais 24% não haviam sido diagnosticados por um profissional da saúde1,2. Se não tratada, a apneia do sono pode elevar o risco de pressão alta, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e outras doenças graves3. Além da apneia do sono, os sintomas mais relatados pelos pacientes com EC em comparação com EE foram: falta de ar[v], sonolência[vi], sono inadequado[vii] e ronco[viii] 1,2 .

Para a neurologista da Maria Eduarda Nobre a enxaqueca é mais que uma simples cefaleia. “É uma doença debilitante que pode ter um impacto profundo nos pacientes e seus familiares6-8. Para muitas pessoas que sofrem de enxaqueca crônica, nos 15 ou mais dias do mês em que a cefaleia ataca, conviver com essa dor é um enorme desafio6-8. O distúrbio do sono pode dificultar ainda mais o tratamento da enxaqueca, e por isso não deve ser ignorado1,2. Na verdade, a recomendação é que quem tem problemas de sono devem procurar ajuda médica”, defende a médica.

A Organização Mundial da Saúde classifica os ataques intensos de enxaqueca entre os problemas mais incapacitantes do mundo5 . A esse respeito, eles estão na mesma classe de incapacidade que o câncer terminal, a paralisia dos membros e a psicose5. A Enxaqueca Crônica é um distúrbio incapacitante definido como a ocorrência de cefaleia por 15 ou mais dias do mês durante três ou mais meses, a qual atende aos critérios de enxaqueca (sem aura) em oito ou mais dias e/ou responde ao tratamento específico para enxaqueca, em paciente com histórico de pelo menos cinco crises de enxaqueca anteriores não atribuídas a outro distúrbio nem ao uso excessivo de medicação. A cefaleia que ocorre em menos de 15 dias por mês é classificada como Enxaqueca Espisódica1,9 .

Sobre o Estudo CaMEO

O Estudo de Epidemiologia e Desfechos Clínicos da Enxaqueca Crônica (The Chronic Migraine Epidemiology and Outcomes Study – CaMEO) foi planejado para aumentar o conhecimento sobre o impacto da enxaqueca episódica e enxaqueca crônica nos pacientes, incluindo as barreiras ao tratamento, a relação entre enxaqueca e outros problemas de saúde e o ônus da enxaqueca no contexto familiar. Os pacientes foram recrutados a partir de um painel na internet de modo a representar a demografia populacional dos EUA1,2 .

O estudo compreendeu os seguintes módulos:

Perspectivas dos Adolescentes sobre o Ônus da Enxaqueca de seus Pais: Resultado do Estudo de Epidemiologia e Desfechos Clínicos da Enxaqueca Crônica – CaMEO

O módulo sobre os adolescentes abrangeu 1.411 pares de pai-adolescente, dos quais 168 (11,9%) tinham um pai com EC e 1.243 (88,1%) tinham EE6 .
Epidemiologia da Enxaqueca em Homens: Resultado do Estudo de Epidemiologia e Desfechos Clínicos da Enxaqueca Crônica – CaMEO

O módulo sobre a epidemiologia em homens incluiu 12.495 mulheres e 4.294 homens7 .
Efeito dos Sintomas Psiquiátricos sobre a Incapacidade Relacionada à Cefaleia na Enxaqueca: Resultado do Estudo de Epidemiologia e Desfechos Clínicos da Enxaqueca Crônica – CaMEO

O módulo sobre os sintomas psiquiátricos teve 16.788 participantes8 .
Relação entre Distúrbios do Sono e Enxaqueca: Resultado do Estudo de Epidemiologia e Desfechos Clínicos da Enxaqueca Crônica – CaMEO

O módulo sobre distúrbios do sono contou com 12.810 participantes1,2 .
Vale ressaltar ainda que o tratamento da enxaqueca crônica deve ser multidisciplinar e profissional, compreendo mudança de hábitos alimentares e estilo de vida, adoção de prática de atividades físicas, com terapias medicamentosas orais, preventivas e durante as crises, tais como antidepressivos, neuromoduladores e betabloqueadores, e também com a aplicação de toxina botulínica A.

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