Sobrepeso na adolescência têm risco cardíaco semelhante ao da obesidade

Sobrepeso na adolescência têm risco cardíaco semelhante ao da obesidade

Publicado em 17/05/2019 por Claudia Santos às 7:18
Foto: Pixabay

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sugere que adolescentes com sobrepeso têm risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares tanto quanto jovens obesos.
Testes de desempenho card√≠aco feitos com volunt√°rios entre 10 e 17 anos revelaram que os dois grupos ‚Äď sobrepeso e obesidade ‚Äď apresentam resultados muito parecidos.

A pesquisa teve¬†apoio da Fapesp e foi publicada na revista Cardiology in the Young. Participaram do trabalho cientistas da Kennesaw State University, dos Estados Unidos, e da Faculdade de Juazeiro do Norte, no Cear√°. ‚ÄúAt√© recentemente, o sobrepeso na adolesc√™ncia n√£o era considerado um fator de risco t√£o importante para o desenvolvimento de doen√ßas cardiovasculares, como √© a obesidade. Constatamos que os riscos em ambas as condi√ß√Ķes s√£o parecidos‚ÄĚ, disse Vitor Engr√°cia Valenti, professor da Unesp de Mar√≠lia e coordenador da pesquisa, √† Ag√™ncia FAPESP.

Os pesquisadores dividiram 40 adolescentes em dois grupos, com meninos e meninas na mesma propor√ß√£o e com diferentes valores de escore-z ‚Äď escala usada no diagn√≥stico nutricional de crian√ßas e adolescentes baseada no n√ļmero de desvios padr√£o acima ou abaixo da m√©dia da popula√ß√£o na mesma idade.
O primeiro grupo foi composto por adolescentes com sobrepeso, classificados pelo escore-z com um a dois desvios padrão acima da média (+ 1 e +2). O segundo grupo reuniu adolescentes obesos, identificados pelo escore-z com desvios padrão acima de dois.

Os jovens foram submetidos a um protocolo de exerc√≠cios f√≠sicos moderados, que inclu√≠a caminhada de 20 minutos em uma esteira sem inclina√ß√£o. O objetivo era alcan√ßar 70% da frequ√™ncia card√≠aca m√°xima estimada para a faixa de idade.¬†A variabilidade da frequ√™ncia card√≠aca dos adolescentes foi medida antes e depois do exerc√≠cio, a fim de avaliar a velocidade de recupera√ß√£o card√≠aca auton√īmica na sequ√™ncia da atividade f√≠sica. Essa medida permite analisar o risco de uma pessoa apresentar uma complica√ß√£o cardiovascular imediatamente ap√≥s uma atividade f√≠sica e tamb√©m estimar o risco de vir a ter uma doen√ßa cardiovascular no futuro.

Durante os primeiros segundos de um exerc√≠cio f√≠sico, h√° uma redu√ß√£o da atividade do sistema nervoso parassimp√°tico ‚Äď respons√°vel por estimular a√ß√Ķes que relaxam o corpo, como desacelerar os batimentos card√≠acos.¬†J√° ap√≥s os primeiros 50 a 60 segundos do esfor√ßo f√≠sico h√° um aumento da atividade do sistema nervoso simp√°tico ‚Äď estimulando a√ß√Ķes de resposta a situa√ß√Ķes de estresse, como a acelera√ß√£o dos batimentos card√≠acos, por meio dos efeitos da adrenalina.

Estudos publicados nos √ļltimos anos indicaram que, quanto maior √© o tempo que esse sistema nervoso aut√īnomo demora para se estabilizar ap√≥s o exerc√≠cio e recuperar a frequ√™ncia card√≠aca normal, maior tamb√©m √© a predisposi√ß√£o para doen√ßa cardiovascular ou metab√≥lica, explicou Valenti.¬† As an√°lises da variabilidade da frequ√™ncia card√≠aca dos adolescentes com sobrepeso e obesos revelaram que n√£o houve diferen√ßa significativa entre eles.

Os resultados das análises estatísticas também indicaram que não houve diferença na variabilidade da frequência cardíaca das meninas em comparação com a dos meninos.
‚ÄúA m√©dia das vari√°veis do sistema nervoso aut√īnomo foi praticamente igual para os dois grupos de adolescentes, independente do sexo‚ÄĚ, afirmou Valenti.

‚ÄúEssas evid√™ncias sugerem que os adolescentes com sobrepeso t√™m a mesma predisposi√ß√£o, ou uma vulnerabilidade muito parecida com a de obesos, de desenvolver uma doen√ßa cardiovascular, como hipertens√£o e insufici√™ncia card√≠aca, al√©m de dist√ļrbios metab√≥licos, como diabetes, dislipidemia e altera√ß√Ķes nos n√≠veis de triglic√©rides e de colesterol‚ÄĚ, disse.

O n√ļmero de adolescentes obesos aumentou em todo o mundo nos √ļltimos 40 anos. Nos pa√≠ses desenvolvidos, a taxa de obesidade nesse grupo cresceu entre 30% e 50% por d√©cada, segundo estudos recentes. No Brasil, a tend√™ncia n√£o √© diferente.

Por Elton Alisson | Agência FAPESP

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