As falsas verdades do Brasil Holandês…
Leonardo Dantas Silva

As falsas verdades do Brasil Holandês…

Publicado em 25/04/2019 por Revista algomais às 5:06

No Recife, para os menos avisados e mequetrefes de plantão, todo passado vem do chamado Tempo dos Flamengos, do período holandês (1630-1654) melhor dizendo. Até a nossa tradicional Praça da República, o Passeio Público do Campo das Princesas, cuja planta do seu ajardinamento assinada por Emilio Beringuer encontra-se datada de cinco de setembro de 1875, tem sua origem atribuída ao Conde João Maurício de Nassau, que esteve no Recife entre 1637 a 1644!

Na verdade, no seu tempo, foi o Conde de Nassau responsável pela construção no local do Palácio de Friburgo e seu horto (detalhado em planta baixa por Caspar van Baerle, em 1637), então apelidado de Palácio das Torres. Mas, com o seu retorno aos Países Baixos, foi o horto destruído por conta da Guerra da Restauração Pernambucana (1645-1654), segundo acentua Tadeu Rocha (1967): “Do antigo Palácio e do seu parque nada mais resta…”.

O primitivo palácio durou até 1769, quando veio a ser demolido, dele restando, tão somente, uma pequenina construção, registrada por Robert Southey (1774-1843) in History Brazil (1819), na qual funcionava o Erário Régio, “e o espaço em redor tornara-se um grande descampado passando a ser chamado de Campo do Erário, cujo polígono é detalhado por F.A. Pereira da Costa (Anais, v.4, p.209)”.

No Campo do Erário foram depois construídos o Palácio da Presidência da Província (1843) e o Teatro de Santa Isabel (1850). As duas novas construções que pontuavam o velho descampado viriam ser apreciadas pelo imperador D. Pedro II, chegado ao Recife em 22 de novembro de 1859. A municipalidade de então rendia homenagem ao lhe impor nova designação de Campo das Princesas, conforme comprovam as fotografias obtidas pelas lentes de Augusto Sthal (c. 1855), reproduzidas em publicação de Gilberto Ferrez, Raras e Preciosas Vistas e Panoramas do Recife – 1755-1855 (Coleção Pernambucana, v.14); bem de acordo com as imagens de Emil Bauch (1852) e Louis Schlappriz (1863).

Somente em 1862 é que apareceu na imprensa um pedido de arborização de alguns logradouros do Recife, dentre os quais o Campo das Princesas, cujo gradeamento e calçada no seu entorno aparece em relatório da Presidência da Província de 1º de março de 1871, com a nova denominação de Passeio Público.

Em 1871, orçamento da Repartição de Obras trata da aquisição de um gradil, quatro portões em ferro, oito bancos com dois tipos e ornatos, quatro figuras com lampiões globulares, quatro estátuas “representando a Justiça, a Fidelidade, a Amazona e a Concórdia”, juntamente, “com quatro estátuas representando o inverno, o estio, a primavera e o verão” (Arrais, 2004).
O Passeio Público vem ser inaugurado em 1872, segundo noticia o Diario de Pernambuco nas suas edições de 19 e 21 de outubro daquele ano.

A planta do ajardinamento do novo Passeio Público, assinada por Emile Beringuer, encontra-se datada de cinco de setembro de 1875, conforme original no Arquivo Público o Estado.

No que diz respeito ao registro iconográfico dos jardins do Campo das Princesas ver as fotos de Marc Ferrez (1875) e de outros profissionais, publicadas no livro Jardins do Recife – 1872-1937, de Aline de Figueirôa Silva (CEPE, 2010).

O interessante disso tudo é que, para os desavisados e mequetrefes [homem presumido de sabido; Padre Antônio Vieira, Cartas, 41. Tomo, 1], os jardins da atual Praça da República foram originários do Horto do Conde João Maurício de Nassau (1642).

Como no cancioneiro popular:
Há sinceridade nisso,
Não há….
Não há…

Para continuar lendo:
Tenha acesso a 5 textos
gratuitos todo mês
Cadastre-se gratuitamente »
Aproveite todo conteúdo da Revista Algomais sem limites
Assine »