Em tempo de pandemia, o negócio é fazer jogo
Breno Carvalho

Em tempo de pandemia, o negócio é fazer jogo

Publicado em 10/07/2020 por Breno Carvalho às 10:30

O mundo ‘tá danado mesmo’, não há consenso sobre a hora de abrir lugares públicos como praças, comércio, bares, shoppings, cinemas, estádios, e outros locais, pois tem sido vivenciado tentativas de abertura, muitas vezes precoce, que culminaram no retorno ao fechamento do local ou estabelecimento. Um vai e vem da gota serena, que está deixando a população do mundo, inclusive do Brasil, doidinha da cachola, ora pode sair, ora deve ficar em casa, afinal, é pra ficar onde meu pai amado? Se avexe não! Se podes, #ficaemcasa.

De fato, é uma tarefa dificílima para ser analisada e tomada por governantes, empresários, cientistas, profissionais da saúde, educadores, enfim, qualquer um gestor que precise definir qual o momento do #vaipararua! Mas uma outra tarefa que é difícil que ‘nem Santo Antonho com guancho’ é empreender no mundo dos jogos, principalmente, aqui no nosso país.

‘Home, seu menino, mulé, sua menina’, geralmente as startups de jogos aqui no Brasil surgem da ideias de dois ou três caboclos rochedos, tudo novo, às vezes ainda estudando na universidade ou quase sempre trabalhando em outro tipo de negócio (atividade remunerada) para pagar as contas e manter o sonho de fazer sucesso com jogos.

O II Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, pesquisa organizada por uma dupla dinâmica porreta, Luiz Sakuda e Ivelise Fortim, aponta que o perfil das desenvolvedoras brasileiras têm foco em jogos para dispositivos móveis; são de pequeno porte; têm muita dificuldade para conseguir crédito; necessitam de investidores, mas nem sempre atraem na medida certa; investem pouco em marketing, e não tem representação no exterior. São desafios que até Mário, Kratos e Lara Croft ficariam cabreiros.

Para ajudar uma galera boa aqui do Recife, vou apresentar algumas dessas empreitadas, muitas delas iniciadas este ano, em plena pandemia, que precisam de recurso (crédito), mas também de fazer o marketing de seus projetos para que o público possa conhecê-los, afinal, ‘quem não comunica se trumbica’, já dizia o Chacrinha.

Vale ressaltar que boa parte dos projetos citados aqui estão ainda em fase inicial de desenvolvimento, poucas possuem uma pequena demo para que o público possa testar e ficar querendo mais. Não ter um produto totalmente finalizado não é impedimento de ser divulgado, de criar a empatia com seu público, de formar seus fãs, como diria Marc Gobé. Se empresas grandes e internacionais divulgam seus títulos muito antes de finalizados, porque os estúdios pequenos não podem também?? Então lá vai!!!

 


Pratik
Se você é gestor em educação ou professor e está querendo desenrolar umas aulas remotas diferenciadas com seus alunos, então esse é uma plataforma bem interessante. A proposta é simular experimentos de laboratórios de forma segura, rodando até nos smartphones dos estudantes enquanto tudo é guiado pelo professor.

O projeto foi desenvolvido pela Quacks Interatividade Digital, fundada em 2019 com o objetivo de produzir soluções gamificadas para a educação brasileira. Acesse o site do projeto: https://www.aulapratik.com.br/

 


Fuyushi – O conto da Rosa Branca
Uma aventura 3D, inspirada no folclore japonês, você pode controlar três personagens com habilidades especiais para enfrentar os Onis e Yokais, inimigos famigerados e sanguinolentos que estão atacando vilas no Japão medieval e que ameaçam a paz no mundo. Lute com Kido Sasazaki (ronin), Jiro Utagawa (lutador de sumô) ou Yamato Katsumoto (mestre sushiman) e ajude a resgatar a donzela Sakae, neta de Yamato.

O jogo para PC desenvolvido pela Sakae Katsumoto é um projeto de conclusão do Curso de Jogos Digitais da Unicap, composto pelos alunos Hélder Vinicius, João Sotero e Pedro Bittencourt e produzido em junho de 2020. O game tem uma demo com quatro fases e você pode baixá-lo gratuitamente no site itch.io. Acesse o link: https://pedroarthur.itch.io/fuyushi

 

 

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Uma publicação compartilhada por Mikura no Tabidachi (@go_mikura_go) em


Go Mikura Go!
Gosta de animais do fundo mar e com cores vibrantes? Então você irá amar a simpática Mikura, uma água-viva que mora na Lua e sem querer, querendo, cai na Terra. Use as habilidades de mudar a cor de Mikura para destruir seus inimigos, esquivar de obstáculos e destruir paredes com alta velocidade. O projeto ainda em fase de desenvolvimento e sem demo para testar é uma produção da Kunjee.

A Kunjee nasceu em janeiro de 2020 como um grupo de veteranos na área de games de Pernambuco que deseja desenvolver jogos autorais, divertidos e inovadores. Prestigie o projeto e Curta a fanpage no link: https://www.facebook.com/Go-Mikura-Go-238675592837281

 


Inácio Adventure
Jogo de Plataforma 2D, no estilo retrô de pixel art e sons da época do Atari, você encarna o papel de Inácio, um rapaz maroto, que precisa desbravar o mundo. Salte entre as ruas de Olinda ou num universo fantástico, coletando o maior número possível de moedinhas numa aventura nostálgica.

Ainda em desenvolvimento e sem demo para o público, o projeto é uma produção do aluno do curso de Computação Gráfica do IFPE Campus Olinda, André Souza.

 


Dispense Boy
Se você apoia movimentos de emancipação feminina e de combate ao assédio, esse projeto é a sua cara. No meio da muvuca do Carnaval em Olinda, você joga como Miga, uma passista arretada que precisa usar todo seu gingado para andar na ladeira da Misericórdia sem ser importunada por uns bad boys. E se esses cabras estiverem muito perto, taque spray de pimenta neles.

O projeto foi produzido em 48horas por uma turma arretada, a Marim Games, durante a Global Game Jam de 2020, que ocorreu em janeiro deste ano. Acesse a página do projeto e baixe gratuitamente para seu PC através do link: bit.ly/dispenseboy.

 


Friquiz
Outro projeto com uma pegada educativa, jogo para smartphone tem como objetivo ensinar inglês através de perguntas e respostas. Encarne no papel de um piguim esperto e desafie seus amigos ou encontre adversários da gota serena em qualquer geleira desse grande mundão. O primeiro a conquistar 3 picolés é o grande vencedor!

Desenvolvido pela Pandora Studio, o jogo é uma produção dos alunos Eudes Tenório e Manuela Valença para a disciplina de Jogos para Dispositivos Móveis do curso de Jogos Digitais da Universidade Católica de Pernambuco. Você pode se inscrever para receber uma versão beta do jogo acessando o link do Google Play: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.mad.Friquiz

 


Hazy
Jogo de plataforma 2D, com uma pegada de pixel arte e uma atmosfera cromática muito instigante, Hazy conta a história do caboclo Tori, que vive numa vila num futuro muito distante. Certo dia, no meio de um conflito, ele liga um dispositivo, acidentalmente, que lhe confere poderes. Embarque numa aventura em que Tori irá descobrir aliados, inimigos e uma trama muito maior do que ele imagina.

O projeto ainda em fase de desenvolvimento e sem demo para testar é uma produção da Theory Games, startup que surgiu em maio deste ano, com objetivo de publicar jogos autorais.

 


Mangue & Beach
Jogo 2D em pixel arte, ambientada nas moradias de palafita em torno do mangue no Recife, assuma o papel de Chico Science, pule em sua jangada da sustentabilidade e dê uma limpada ‘rocheda’ nos rios da Mauricéia. Produzido pela Mangrove, o game tirou em primeiro lugar no Witic 2019 – Workshop Interdisciplinar de tecnologia da informação e computação. Baixe gratuitamente o demo no site do itchi.io no link: https://rafanasper.itch.io/manguebeach

A Mangrove é startup recifense de jogos, fundada em maio de 2019, que busca trazer o universo nordestino para os games, não só falando de seca ou carnaval, mas de toda a riqueza e cultura da nossa região.


How to be a Dragon
Se você se amarra por dinossauros, este metroidvania 2D de plataforma vai fazer você babar e ficar doido para jogá-lo. O game conta uma história sobre sonhadores e suas jornadas até a realização de suas utopias. O protagonista é o pequeno dinossauro chamado Azantys, cujo sonho era um dia poder crescer e se tornar um dragão, baforar pura chama e ser respeitado por todo o mundo animal. Desacreditado por muitos que lhe disseram ser impossível realizar seu desejo. Azantys encontra um ancião que o encoraja a seguir sua jornada e diz para ele procurar uma pedra mágica. Ajude o pequeno dinossauro a desbravar por uma longa e tortuosa jornada até o vulcão Mōris, onde realizará seu sonho.

O projeto ainda em fase de desenvolvimento e sem uma demo é uma produção da Devbox, fundada em janeiro de 2019 e formada pela dupla arretada, formada pelo artista, John Pablo, e o programador, Marcelino Borges. Curta a página do instagram do game e aguarde uma versão jogável.

 


BlackHeart – A Sombra Invisível
O game 3D com visual minimalista, misterioso e repleto de puzzles, tem como o tema central a reflexão sobre a depressão. O projeto conta a jornada do protagonista Dome, que vive um eterno vazio e tenta entender o porquê do sentimento de solidão que o atinge. Logo percebe que precisará encontrar seu coração, que está espalhado em quatro universos paralelos tomados pela sombra invisível. Ajude Dome a passar por obstáculos e combater seus próprios sintomas. Pense num jogo que é pura superação!

O jogo para smartphone desenvolvido pela Deep Way é um projeto de conclusão do Curso de Jogos Digitais da Unicap, composto pelos alunos Jonny Willian, Laylson Fernandes e Matheus Andrade e produzido em junho de 2020. Acesse a demo gratuita no link: https://cutt.ly/7piOfME

Pra terminar de ‘inteirar’ nossa prosa, se você é desenvolvedor de jogos ou conhece um, avise que está aberta as inscrições para mostrar de jogos do 11º Festival do Videogame-PE. O evento será totalmente online e link do formulário estará aberto até dia 09 de agosto. Mande o seu projeto, home de Deus. Acesse: encurtador.com.br/mnwF7

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