Na corrida eleitoral vale tudo, até jogar videogame
Breno Carvalho

Na corrida eleitoral vale tudo, até jogar videogame

Publicado em 30/10/2020 por Breno Carvalho às 7:40

Político é um bicho ‘danado’, né mesmo? Depois de eleito se você quer falar com ele, ‘oxe’, ‘meu véi’, ‘minha veia’, é uma complicação da ‘gota serena’! Fala-se com o assessor, tenta agendar uma conversa, uma reunião, liga, manda e-mail e nada de encontrar o ‘desgramado’ ou ‘desgramada’.

Mas no período eleitoral, quando está precisando de voto, aí a coisa é diferente demais, tudo é uma graça, é tudo felicidade, ele chega para apertar a mão, dá um cheiro no ‘cangote’, segura criança com nariz escorrendo, até te ajuda com as sacolas da feira para colocar no carro. É tudo uma maravilha. Mas neste ano, por causa da Pandemia da Covid-19, que parece que gostou do mundo e mais ainda do nosso país, os candidatos e candidatas partiram para uma nova abordagem, e não é rede social, visse, repare só!

Na época dos Kennedy, lá nos anos de 1960, a história era estar bem vestido, falar umas palavras bem bonitas, todo um ‘caqueado’ para levantar os braços, fazer um gesto, tinha até a postura e umas poses para ficar bem bonito nas fotos e na televisão. ‘Oxe’, tinha um estudo para combinar do corte de cabelo até as cores da gravata e do paletó, tudo para ficar ‘nos trinks’, e isso vale ainda hoje para alguns. Isso deu tão certo que tivemos um presidente nos anos de 1990, cheio das ‘mungangas’ na sua campanha, mas que depois de eleito, não serviu para nada, só queria ‘lascar’ o povo, mas graças à Deus, ele terminou saindo.

Em 2007, o Obama começou a utilizar as redes sociais como uma ferramenta para conversar com seus eleitores lá nos Estados Unidos, a galera tudo na internet, tudo dando ‘like’, tudo compartilhando foto, vídeo, e o resultado foi que ele se elegeu. Lógico que a moda pegou e outros políticos começaram a utilizar dessa estratégia também. Em 2018 mesmo, teve uma galera que usou, virada na ‘gota serena’, as redes sociais , não apenas o Facebook, mas foi o ‘danado’ do WhatsApp é que fez sucesso e por onde se enviavam mensagem com som, imagens e vídeos, tinha até uma tal de ‘Fake News’! Resultado, deu certo, infelizmente, para nós aqui no Brasil!

Voltando para nosso assunto, eu estava conversando com compadre meu, que me falou que essa estratégia de se vestir todo como um executivo dos estrangeiros, de falar umas palavras bonitas, de usar as redes sociais para estar discursando é coisa do passado, pois a onda agora é jogar videogame, eita! Pois é isso mesmo, nem dá para acreditar meu véio, minha veia, o mundo está mudado mesmo!

A brincadeira começou, dia 21 de outubro, com a deputada do Partido Democrata, lá nos Estados Unidos, Alessandra Ocasio-Cortez, também conhecida como AOC, não é a marca de monitores e Tv, visse?! Ela vem ganhando destaque mundo afora, modelo de mulher ‘porreta’, pois além de fazer sucesso nas redes sociais, partiu para jogar um game chamado de Among Us, na conta dela no Twitch, plataforma usada por gamers para fazer streaming de jogos.

A ação de AOC chamou tanta atenção que movimentou uma ‘porrada’ de jogadoras, jogadores e até fãs dela, foram 450 mil pessoas assistindo simultaneamente a partida enquanto ela jogava, interagia com o público e até venceu a partida. É uma desenrolada!

O jogo Among Us foi desenvolvido pela empresa estadunidense InnerSloth e lançado em 2018, na época tinha uns 300 jogadores diários e nem parecia que era essas coisas. Mas em 2020, ‘meu véi, minha veia’, o jogo caiu no gosto popular, tem alguns artistas que começaram a jogar, umas celebridades, bombou, são mais 3 milhões de pessoas jogando esse ‘danado’ no computador ou no celular.

O game parece com um jogo, uma brincadeira antiga, conhecida de ‘Assassino, Detetive e Vítima’, tu lembras disso?? Primeiro, todo mundo sentava em forma de roda, pegava um papel para saber qual seria sua função. O assassino deveria matar todas as vítimas dando uma piscada para cada uma delas, sem deixar pistas para o detetive, que tinha como objetivo descobrir a identidade do ‘mau elemento’.

O Among Us é um pouco diferente, pois é digital e tem como cenário uma nave espacial, contendo em sua maioria, tripulantes, e impostores, em menor número predeterminado. Cada jogador assume um papel, os tripulantes precisam identificar os impostores e/ou completar as tarefas ao redor do mapa, enquanto os ‘danados’ dos impostores precisam eliminar a tripulação sem ser identificados. Pense num jogo malicioso da ‘murrinha’.

Se os políticos estão usando games nos Estados Unidos, aqui no Brasil não podia ser diferente né?! Pois na campanha eleitoral em São Paulo, os candidatos começaram a jogar o Among Us também ‘meu véi’! ‘Tome’ Among Us para cá e para lá, para cima e para baixo, tudo para chamar a atenção e poder conversar com a garotada, com os jovens e até adultos. Esses políticos estão ‘virados’ na ‘gota serena’, jogando e tirando onda com esse game! Quero ver numa partida de Fortnite, Mortal Kombat ou Call of Duty! ‘Se chegue!!’

O primeiro deles é o candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSOL, o Guilherme Boulos, que participou de uma partida com alguns artistas e influencers, como Meteoro Brasil e Nath Finanças, ‘já pensasse?!’

Arthur do Val participa de partida de Among Us

 

Outro que usou a mesma abordagem foi Arthur do Val, do Patriota, que também disputa à prefeitura de São Paulo, partiu para a experiência gamer pela primeira vez com esse jogo. ‘To besta!’ Os dois candidatos disseram que gostaram de jogar, que os games são muito bons e uma maneira diferente e divertida de apresentar-se para a sociedade, principalmente, para essa nova geração.

Até o vereador Eduardo Suplicy, do PT, que tenta se reeleger para mais um mandato, entrou na onda dos jogos digitais, mas não teve a mesma desenvoltura dos demais. Nem por isso deixou de usar o jogo, aliás, fez postagem com imagem do Among Us em suas redes sociais para chamar a atenção. Não deu muito certo, mas virou notícia!


O Suplicy está tão ligado no sucesso que o mercado de games representa que ele e os vereadores Daniel Annenberg (PSDB), Police Neto (PSD) e Soninha Francine (Cidadania) fazem parte da Frente Parlamentar de Apoio ao Setor de Games e Jogos Eletrônicos na Câmara Municipal de São Paulo, criada em maio deste ano, ‘tais vendo só?!’ Só quero ver no que vai dar.

Vou te falar, não que eu acho ruim essa história de político jogando videogame, mas seria bom também que depois de eleitos, eles olhassem um pouco mais para nós, gamers, tanto como jogador, quanto como desenvolvedor, né não?! Incentivar a produção de jogos brasileiros por meio de políticas públicas e editais de fomento. Facilitar, também, nossa vida de consumidor de jogos e equipamentos, pois os preços são salgados para ‘dedéu’.

Falaram, dia desse, até que diminuíram o imposto de importação sobre jogos, consoles e peças, mas do jeito que está o dólar, ‘meu véi’, ‘minha veia’, isso termina sendo conversa para ‘boi dormir’!

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