Cinema de animação em Pernambuco é destaque em livro (Por Wanderley Andrade)
Wanderley Andrade

Cinema de animação em Pernambuco é destaque em livro (Por Wanderley Andrade)

Publicado em 19/10/2017 por Wanderley Andrade às 6:00
Livro faz um passeio sobre a história do cinema de animação em Pernambuco.

Pouco se divulga, mas Pernambuco tem mostrado grande potencial em relação ao cinema de animação. Um bom exemplo disso é o Mundo Bita, desenho infantil que virou febre no Brasil, da produtora pernambucana Mr. Plot. Inspirado nesse mercado, o professor Marcos Buccini, doutor em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco, lançou na Bienal do Livro de Pernambuco, no sábado (14), o livro História do Cinema de Animação em Pernambuco. Em entrevista à Algomais, Marcos, que também é cineasta, conta detalhes de como surgiu o projeto e faz uma análise do mercado atual do cinema de animação no estado.

Como surgiu o projeto do livro?

Teve origem na minha tese de doutorado feita no PPGCOM da UFPE. Mas na minha pesquisa da tese fiz um levantamento até 2010. Daí consegui um patrocínio do Funcultura Audiovisual para estender a pesquisa e lançar o livro.

Por que falar sobre o cinema de animação em Pernambuco? 

Porque era uma história não contada. O primeiro e único texto que abordava o cinema de animação do estado foi a monografia de Christiane Quaresma, que estudou os filmes animados do Ciclo do Super-8 do Recife. Eu como participante da cena sentia falta de conhecer a nossa história, quantos filmes foram produzidos, quais as características do nosso cinema e quem faz parte dele.

Além de professor, Marcos Buccini é cineasta. Dirigiu, em 2002, a animação “Árvore do Dinheiro”.

Qual maior desafio você enfrentou na realização da obra? 

O maior desafio foi com certeza não ter praticamente nenhum texto para me basear. Pois fora a monografia de Christiane, citada anteriormente, o que se tinha eram textos esporádicos e superficiais sobre a animação de Pernambuco. Tive de fazer um trabalho de garimpo em catálogos de festivais e mostras. Mas foi através das entrevistas com os realizadores que eu consegui as principais informações.

Quando e como começou sua relação com o cinema de animação?

Desde cedo queria fazer cinema, mas não era fácil no fim da década de 1980. Acabei entrando no curso de Design Gráfico e quando o cinema de Pernambuco começou a ganhar fôlego, notei que a animação seria a linguagem ideal para mim, pois envolvia o cinema com as artes gráficas. Assim, em 2002, junto com alguns amigos, realizei A Árvore do Dinheiro, co-dirigido por Diego Credidio. Em seguida, em 2005, já professor, fui chamado para coordenar o Núcleo de Animação da Faculdade Aeso Barros Melo. Hoje dou aula na UFPE, no campus de Caruaru, lá tenho vários projetos com animação, inclusive um laboratório, o Maquinário.

Como está atualmente o mercado de animação no Estado?

Capa do livro “História do Cinema de Animação em Pernambuco”.

A animação em Pernambuco nunca esteve melhor. Temos um dos melhores editais do país para o audiovisual, o Funcultura. E, por conta da Lei 12.485/2011, a Lei da TV Paga, as séries para TV têm crescido muito no Brasil e isso acabou reverberando em Pernambuco. Hoje temos pelo menos 4 produtoras realizando séries no estado. Isso é muito bom, pois é um produto que tem forte chances de dar lucro, gera muito emprego e também cria outras oportunidades, como licenciamento de produtos. Até o momento o caso de sucesso é o Mundo Bita, da Mr. Plot, que já conquistou as crianças do Brasil e muitos pais nem sabem que seus filhos estão consumindo um produto 100% pernambucano. Mas é bom dizer que ainda estamos engatinhando. Falta mão de obra especializada, especialmente para as séries, e o mais preocupante é que, assim como 99% das filmografias do mundo, ainda precisamos de patrocínio governamental, e com o atual governo, que está cortando o investimento nas artes e educação, não temos nenhuma garantia que o crescimento dos últimos 10 anos da animação (e do cinema em geral) não sofra um enorme retrocesso. Como diz uma amiga animadora carioca, Aída Queiroz: “O futuro da animação brasileira depende do futuro do Brasil”.

Para continuar lendo:
Tenha acesso a 5 textos
gratuitos todo mês
Cadastre-se gratuitamente »
Aproveite todo conteúdo da Revista Algomais sem limites
Assine »