Que tal apoiar um quadrinho nacional?
Eduardo Martins

Que tal apoiar um quadrinho nacional?

Publicado em 05/08/2020 por Algomais às 15:44
Trecho da HQ Zênite da dupla Gabriel Calfa e Diego Porto. (Divulgação)

Já falamos em uma edição anterior da Coluna Gibitown como as plataformas de financiamento coletivo se tornaram uma ferramenta essencial para lançamentos de quadrinhos, sem que necessariamente o autor precise de uma grande editora por trás. E a quantidade e qualidade das obras que nascem através dessa modalidade vem crescendo consideravelmente em 2020.

Reflexo da quarentena? Provavelmente. Em uma pesquisa divulgada pela GFK, romances e quadrinhos estão entre os gêneros de livros mais lidos neste período de pandemia. Antes disso, Quadrinhos e Mangás ocupavam a 5ª colocação. Depois da pandemia, o gênero pulou para a 2ª colocação.

Por isso, sempre que possível, vamos trazer para você, leitor da Gibitown, uma seleção de quadrinhos em financiamento coletivo que enxergamos bastante promissores. E de quebra, quem sabe, você ainda consegue um sketch autografado pelo autor (um exemplo de mimo por apoiar a produção de uma nova HQ nessa modalidade).

Dessa vez, os escolhidos foram apenas artistas e/ou autores com obras nacionais. São 06 quadrinhos e 01 livro especializado sobre a nona arte. Vamos a lista?

 

01 – Samurai Doggy

 

Um cão sem dono é igual samurai sem mestre. Só lhe resta o caminho da espada. (Divulgação)

 

Se você é fã do filme Kill Bill e adora um cachorro, então essa HQ é para você. Nada melhor que assistir ao vídeo promocional de Samurai Doggy para perceber que não estamos diante de um projeto qualquer. Com roteiro de Chris Tex e desenhos de Santtos, a campanha já ultrapassou mais de 600% da meta inicial.

A história gira em torno do cachorrinho conhecido como Doggy, que viu sua mãe sendo brutalmente assassinada e os seus 8 irmãos sequestrados por um homem misterioso. Na tentativa de salvá-los, Doggy lutou bravamente contra o terrível assassino. Assim começa Samurai Doggy e continua em mais de 120 páginas com reviravoltas fantásticas.

 


02 – Sereia da Floresta

 

Brissen, a Sereia da Floresta. (Divulgação)

 

“Essa não é uma história apenas sobre bruxas e sereias. É uma história que mistura realidade e fantasia, magia e ciência. O foco está nas mudanças, nas adaptações, na culpa gerada pelas escolhas erradas.”, disse Hiro Kawahara, criador da HQ Sereia da Floresta. Tenho quase certeza que você já se deparou com alguma ilustração de Hiro, enquanto degustava seu lanche em alguma praça de alimentação de shopping. Isso por que, nas palavras do próprio ilustrador, “Eu criei e ilustrei as toalhinhas de bandeja do McDonald’s por 27 anos”.

Mas engana-se quem pensa que Sereia da Floresta é uma história para criança. Pelo contrário. É proibido para menores. Temas mais complexos como melancolia, solidão, abandono e suas consequências, giram em torno da personagem principal, a sereia/humana Brissen. Sem dúvidas, esse quadrinho deve entrar em listas de “melhores leituras do ano”.

 


03 – Zênite

Capa provisória de Zênite. (Divulgação)

 

De um poema nasce uma nova história em quadrinhos: “Um homem atormentado pelo Sol e sua angustiante busca por segurança e abrigo no refúgio da noite”. Essa é a premissa em torno de Zênite, poema homônimo escrito por Gabriel Calfa e transfigurado para os quadrinhos pelo ilustrador Diego Porto. E são justamente os desenhos de Diego que chama atenção e salta aos olhos de quem vê pela primeira vez. Mitologia e psicodelia emaranhadas em um só lugar. Quem disse que toda HQ precisa ter mais de 100 páginas para ser surpreendente? As 20 páginas de Zênite podem te provar o contrário.

Zênite é o primeiro de cinco projetos do selo RISCØ que foram aprovados e selecionados no Edital de Fomento às Artes da Prefeitura da Cidade de Niterói em 2019.

 


04 – Cowboy: Pedro Mauro 50 anos

 

Capa do livro Cowboy, comemorando 50 anos de carreira do Pedro Mauro. (Divulgação)

 

Aqui é para apoiar sem medo. Pode ir de olhos fechados que a coluna Gibitown garante. Estamos diante de um dos maiores ícones do quadrinho nacional, com uma obra exclusiva comemorando 50 anos de carreira do quadrinista Pedro Mauro. Com 172 páginas, “Cowboy” reproduz em fac-símile todas as sete aventuras de faroeste que Pedro Mauro realizou no período de 1970-71. No total foram compiladas sete histórias desenhadas por Pedro Mauro e publicadas pela Editora Taika em diferentes série. Quem é fã incondicional dos sucessos da editora italiana Bonelli, vai gostar de Cowboy. Desculpem o trocadilho, mas aqui é “tiro e queda”.

 


05 – A Garota Bipolar Vol. 01

 

Tirinha do livro do Ota, A Garota Bipolar. (Divulgação)

 

Mais um mestre quadrinista nacional que dispensa comentários. Pode ser que você conheça o trabalho de Ota Assunção como editor da revista MAD no Brasil, como pode ser visto no ótimo vídeo promocional na página da campanha.  O livro é uma compilação da série A Garota Bipolar, do Ota, que vem sendo publicada em pequenas edições em formatinho, incluindo as inéditas tiras do quarto volume, ainda não publicado. A edição de colecionador de A Garota Bipolar também traz, além do material inédito, muito material extra e marca o início da coleção de álbuns do Ota, pela Tai Editora. A campanha já chegou a mais de 80% da meta. Corre, que esse é mais um item de colecionador indispensável na sua estante.

 

06 – Felipe Castilho

 

Página de Cara, com arte de Tainan Rocha (Divulgação)

 

Diferente do que apresentamos até agora, o escritor Felipe Castilho criou uma campanha “always on”, que não tem uma data final de arrecadação, em uma espécie de assinatura mensal. Segundo ele: “Estou aqui em minha primeira campanha no Catarse Assinaturas trazendo uma ideia um pouco megalomaníaca: quero entregar para os meus leitores uma história em quadrinhos por mês”.

Em parceria com artistas nacionais, essas HQs tem no mínimo 5 páginas mensais de histórias autorais, acompanhadas de uma newsletter sobre escrita, fantasia, ficção científica e quadrinhos. Tudo isso em formato digital. Corre lá na página da campanha que já tem quadrinhos de meses anteriores para começar a ler.

 


07 – A Fantástica História dos Quadrinhos: do surgimento aos syndicates – 1833 a 1967

 

A Fantástica História dos Quadrinhos: do surgimento aos syndicates – 1833 a 1967. (Divulgação)

 

O projeto seria lançado em livro impresso, mas por conta da pandemia os custos aumentaram, e o criador Thiago Modenesi resolveu lançar a campanha com a edição em formato digital. Doutor em Educação, professor universitário, editor da Quadriculando e autor de vários livros teóricos sobre histórias em quadrinhos, Modenesi levou cerca de 1 ano e meio de pesquisas para conceber “A Fantástica História dos Quadrinhos: do surgimento aos syndicates – 1833 a 1967”. O e-book possui 124 páginas e traz para o leitor como surgiu diversos quadrinhos nacionais e internacionais, como: Yellow Kid, Brucutu, Os Sobrinhos do Capitão, Terry e os Piratas e muitos outros.

Literatura especializada sobre quadrinhos é uma ótima oportunidade de explorar esse universo tão diversificado culturalmente, mas ainda pouco conhecido, pelo leitor comum, ordinário. E, nada melhor que começar por onde surgiu todo esse universo.

 


Sobre a Gibitown – Parafraseando Chico Science, a cidade do mangue ergueu uma nova e assim surgiu a Cidade do Gibi. O assunto aqui é quadrinhos. Marvel, DC, Image, editoras nacionais, quadrinhos independentes. Do clássico ao contemporâneo, vamos trazer o que existe de melhor no universo da nona arte em Pernambuco, no Brasil e ao redor do mundo. Sem distinção. A coluna é escrita pelo empresário e jornalista pernambucano Eduardo Martins.  Para envio de materiais, sugestões e críticas, mande e-mail para edmartins@gmail.com

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