Para onde estamos indo, não precisaremos de estradas
Bruno Moury Fernandes

Para onde estamos indo, não precisaremos de estradas

Publicado em 16/04/2018 por Revista algomais às 17:48

Você que anda de ônibus, carro, a pé, kombi, lotação, van, jumento, carroça, táxi ou que pega bigu: seus problemas acabaram! A Embraer e o Uber apresentaram projeto de transporte aéreo urbano, em evento que aconteceu na cidade de Austin, nos Estados Unidos. As duas empresas estão desenvolvendo o projeto como alternativa para fugir do trânsito caótico das grandes cidades.

Não é piada! A famosa frase do Doutor Emmet Brown, o professor maluco do filme De volta para o Futuro, que dá título a esta singela crônica, pronunciada antes de sua aeronave levantar do solo, passará a ser realidade. O objetivo é fazer testes com as aeronaves já em 2020. Assisti ao vídeo da apresentação. Uma moça sai do seu trabalho, entra numa pequena aeronave que a transporta, em poucos minutos, até a sua casa. Assustei-me! Incrível!

Chegamos, senhoras e senhores. The future! Vamos voar no nosso dia a dia, meus amigos. Voar! Já imaginaram? Adeus, buracos de Hellciffe e demais cidades. Adeus, vendedores de água mineral nos sinais de trânsito. Adeus, assaltantes disfarçados de vendedores de pipoca na Avenida Agamenon Magalhães. Adeus, operações tapa-buraco. Adeus, licitações superfaturadas para recapeamento de vias. Até nunca mais senhores guardas de trânsito que ficam atrás das árvores escondidos com suas canetas sedentas por multas. Adeus, Avenida Rui Barbosa às 7h30 da manhã. Oremos!

Estamos no olho do furacão. Uma mudança profunda de era. A quarta revolução industrial. E com ela a previsão do fim de algumas profissões: carteiro, agricultor, leitor de medidores, repórter de jornal impresso, agente de viagens, lenhador, comissário de bordo, funcionário de gráfica, fiscal de impostos, dentre outras. É bem provável que novas profissões surjam. Fazendeiros urbanos, por exemplo.

A gente tem que se adaptar. Criatividade, inteligência interpessoal e especialização. Serão armas poderosas no futuro próximo. Acredito na criatividade como forma de vida. Ferramenta necessária para solução de todos os problemas. Algo essencial para a sobrevivência humana. Saber viver em coletividade, no planeta cada vez menor, integrado, também será apreciado.

Desconfie de tudo o que veja, hoje. Nada será igual. A velocidade com que as coisas estão mudando assusta. Confesso que não acompanho o ritmo. Enquanto escrevo essas linhas, estou em pleno Vale do Silício, na Universidade de Stanford, Califórnia. Vim discutir com empreendedores de algumas legaltechs, o futuro do direito. Embasbacado como a tecnologia irá mudar minha profissão rapidamente e o impacto direto disso nos escritórios de advocacia e no próprio Poder Judiciário. Robôs fazendo o papel do advogado, peticionando e proferindo pareceres. Máquinas substituindo juízes, julgando processos. Adeus às brigas dos ministros nas sessões do STF. Máquinas não brigam, ministro Gilmar Mendes.

Quando chegar o dia de ir ao fórum na minha aeronave e despachar um processo com um robô-juiz, teremos chegado lá, definitivamente. Lá onde Mcfly, coitado, só conseguiu chegar num mísero skate voador. Lá onde não precisaremos de estradas, mas sempre, em qualquer tempo, de gente que não jogue lixo pela janela.

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