Faixa Azul na Av. Agamenon Magalhães é um marco para mobilidade do Recife
Rafael Dantas

Faixa Azul na Av. Agamenon Magalhães é um marco para mobilidade do Recife

Publicado em 16/06/2020 por Revista algomais às 11:42
Foto: Andrea Rego Barros

Antes da pandemia pensar em abrir uma faixa exclusiva para o transporte público na avenida de maior movimentação do Recife era um tabu. Há um consenso da necessidade de investir no transporte público e na mobilidade ativa para tornar a cidade mais sustentável, mas a resistência em reduzir o espaço do veículo individual para os coletivos sempre foi grande. Hoje (16), um dia após a reabertura de mais uma etapa das atividades econômicas no Estado, foram abertos 4 quilômetros de Faixa Azul na Avenida Agamenon Magalhães.

O cálculo da Prefeitura do Recife é que essa medida irá beneficiar mais de 250 mil passageiros que utilizam uma das 64 linhas de ônibus que circulam na via. Para comparar com os veículos particulares, segundo a PCR circulam em média 150 mil passageiros nos carros e motos nessa avenida, embora ocupem mais espaço. Para exemplificar a necessidade de inversão da lógica de prioridade dos deslocamentos na cidade, a última pesquisa de origem e destino desenvolvida pelo Instituto Pelópidas Silveira apontou que mais de 78% dos recifenses vão ao trabalho de transporte público, de bicicleta ou a pé.

Com o novo corredor, o Recife chega à marca de 62 km de corredores de ônibus. Para as dimensões do Recife e diante da grande circulação de veículos de toda a RMR, são necessários mais avanços tanto em faixas exclusivas, como na retomada dos BRTs e no investimento em metrôs e VLTs para qualificar o transporte público do Estado e inverter a lógica de favorecimento das vias aos veículos particulares, conforme sugeriram Mariana Zerbone, Rafaella Cavalcanti e Túllio Ponzi em recentes publicações na Algomais. E, diante dos riscos que o uso dos transportes públicos oferecem de disseminação do novo coronavírus, é preciso que se pense num novo padrão desses modais, reduzindo consideravelmente a enorme aglomeração nos terminais e nos próprios ônibus e metrôs.

Apesar desse “porém”, a abertura do corredor na principal via da cidade é um marco, que embora estivesse nos planos há anos, se torna um legado importante do período da pandemia. Que outras mudanças na cidade surjam desse momento de extrema dificuldade, mas que expuseram que o antigo “normal” não era tão normal assim. A ampliação do espaço para as bikes, maiores investimentos em calçadas e de estrutura para os pedestres e ao menos o planejamento da expansão do sistema metroviário poderiam ser os próximos passos para compor a construção do “novo normal” da Região Metropolitana do Recife.

*Por Rafael Dantas, jornalista, especialista em gestão pública e mestre em Extensão e Desenvolvimento Local (rafaeldantas.pe@gmail.com | rafael@algomais.com)

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