Santo Antônio do Carmo de Olinda
Leonardo Dantas Silva

Santo Antônio do Carmo de Olinda

Publicado em 12/12/2017 por Revista algomais às 18:33

Em Olinda, saindo-se do antigo Varadouro da Galeota, contornando o morro de São Bento, pela Avenida Sigismundo Gonçalves, chega-se à colina onde se encontram a Igreja do Carmo de Santo Antônio e as ruínas do seu convento, cujos primórdios datam do ano de 1588.

Os frades carmelitas, porém, já se encontravam em Olinda desde o ano de 1580. Quando, vindos de Beja (Portugal), iniciaram contatos para a fundação deste convento, que viria a ser o berço da Ordem Carmelita no Brasil e sede de sua província, a partir de 1591.

A antiguidade do monumento é comprovada por Germain Bazin, ao constatar a existência de alguns túmulos com inscrições datadas do Século 17: 1612, Antônio Fernandes Pessoa, na capela do Bom Jesus dos Passos; 1623, Dona Ignez de Góes, na capela da Boa Morte; 1624, D. Diogo de Verçosa, no cruzeiro.

Com a destruição de Olinda pelos holandeses, em novembro 1631, e a subsequente demolição dos seus edifícios, com o seu material aproveitável sendo transportado para o Recife, a fim de ser utilizado nas novas construções, muito sofreram a igreja e o convento dos frades carmelitas.

Exteriormente, relata Pereira da Costa, ficou a fachada do monumento reduzida a uma terça parte da sua elevação, vendo-se juntar à portaria da clausura a seção inferior da torre do lado do Norte e um cornijamento geral que, ao correr da altura do primeiro pavimento da larga fachada do templo descansava sobre quatro colunas que ladeiam a sua grande porta de entrada. Essas ruínas compreendem ainda umas peças laterais, esparsas, à parte do Sul, onde ficava a igreja da Ordem Terceira, como demonstra tela do pintor holandês Frans Post, atualmente no Museu Real de Amsterdã.

A Igreja do Carmo de Olinda, por sua grandiosidade, chama a atenção do visitante, conservando o conjunto a sua aparência primitiva do século 17. A planta apresenta uma ampla nave, ladeada por quatro capelas, cercada por tribunas, possuindo uma capela-mor bastante profunda, conservando uma decoração da segunda metade do século 17, constatando-se o emprego abundante da pedra lavrada em seus altares e colunas.

O altar-mor, emoldurado por retábulo de talha, encontra-se ricamente decorado, estando ladeado por colunas. O professor José Luiz Mota Meneses faz referência à existência de um retábulo-mor primitivo, uma espécie de altar fingido, pintado sobre a parede, e sobre o qual foi levantado, aproximadamente em 1770, o atual retábulo, nitidamente de gosto rococó. O altar fingido foi descoberto quando do desmonte do altar-mor, para restauração, e, segundo Germain Bazin, sua moldura de arquivoltas, cercando um camarim pintado na parede de fundo, cujo estilo o dataria como pintado entre os anos de 1660-1670. Sendo um exemplo raro dos altares pintados que decoravam as igrejas enquanto se providenciava a construção do altar em talha.

O retábulo que veio a substituir o originalmente pintado não recebe a tradicional douração, sendo simplesmente pintado de branco. Colocado no mesmo nível do piso, o altar-mor prolonga-se até atingir as cadeiras laterais confeccionadas em madeira decoradas por talhas. O piso revestido de mosaicos prolonga-se até o arco cruzeiro que marca o limite entre capela e nave. O teto pintado é formado por abóbada de alvenaria que nasce sobre as grossas paredes, e tão perfeitamente assentada que não é possível notar a emenda entre o muro e o corpo abobadado.

O arco cruzeiro, a exemplo da capela-mor, também foi decorado, primitivamente, com uma imitação de retábulo pintado sobre o reboco da parede.  O detalhe aparece quando da restauração de um altar de talha, que o encobria há séculos, imitando um modelo de transição entre os protobarrocos e os de estilo franciscano, apresentando colunas contornadas em espiral por folhas de parreira.

A Igreja do Convento Carmelita de Olinda tem planta em nave única, coberta com telhado em duas águas, não apresentando forro, sendo o acabamento interno do telhado simples em madeira aparelhada. O cruzeiro apresenta a singularidade de não ter cúpula, seus dois grandes arcos têm a mesma altura do arco da capela nova e apresentam as mesmas características arquitetônicas. Primitivamente, a nave central possuía treze capelas laterais, distribuídas do cruzeiro para a fachada. Em nossos dias, o número de capelas encontra-se reduzido a quatro, distribuídas de cada lado da nave, que se comunicam com a mesma através de arcadas, e cuja cornija do entablamento está na mesma altura da cornija do transepto.

O conjunto encontra-se inscrito como Monumento Nacional no livro das Belas Artes v. 1, sob o n.º 217, em 5 de outubro de 1938; Histórico v.1, n.º 108, em 5 de outubro de 1938 (Processo n.º 148-T/38).

Texto e fotos de Leonardo Dantas Silva

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