Artesanato: a beleza e a força da sucata

Artesanato: a beleza e a força da sucata

Publicado em 04/12/2019 por Revista algomais às 12:50

Luiz Carlos Melo, 34 anos, tinha uma oficina de pintura e lanternagem dos tradicionais Toyotas Bandeirantes que circulam em massa no Agreste pernambucano. Desde criança, ele aprendeu com o pai a fazer carrinhos com as peças da sucata dos veículos. No ano de 2007, foi convidado a participar de uma oficina de arte que aconteceu na sua cidade, Brejo da Madre de Deus. Ao apresentar suas peças durante aquela formação, o instrutor, surpreso, disse: “Mas vocês já fazem arte!”. Um pequeno empurrão para que o mecânico começasse a migrar para se tornar um artesão do metal. Neste ano, além de chegar à Fenearte com um estande próprio, sua peça Coração de Pedra, energia das montanhas, foi a vencedora do concurso da Galeria de Reciclados.

A produção de carrinhos era uma atividade que Luiz Carlos reservava para as horas vagas. Quando recebeu o estímulo para começar a expor e vender suas peças, ele começou a dedicar mais tempo ao artesanato. comercializou suas primeiras peças dentro de um estande de Brejo da Madre de Deus na Fenearte já naquele ano. O sucesso da comercialização das peças o motivou a seguir investindo no novo trabalho que começava a se abrir.

Há cinco anos ele fechou definitivamente a oficina e passou a trabalhar apenas no ateliê. Dos carrinhos, ele passou a fazer formigas, mosquitos, insetos. Depois começaram a surgir os cangaceiros e imagens da caatinga. Ele foi tomando gosto e começou a produzir peças maiores, como alguns robôs. Atendendo a um pedido especial, de um comprador mineiro, ele vendeu um personagem do Transformers por R$ 30 mil. “Hoje eu faço de tudo um pouco. Tanto peça pequena, como sob encomenda para empresas”.

Entre suas peças que circularam pelo Estado estão os mandacarus que ele chama de Resistência, que foram entregues como troféus do Festival de Cinema de Taquaritinga do Norte e do Poesia na Tela, uma mostra da sétima arte em Tabira. Uma máquina de costura assinada pelo artista, chamada de Migração, seca sem miséria, está na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Cruz do Capibaribe.

Após anos de trabalho, suas obras seguem cinco linhas principais: animais (caranguejo, leão, galo, formiga, entre outros), personagens e cenas sertanejas (mandacaru, sanfoneiros, Lampião e cangaceiros), veículos e máquinas (carros, motos, bicicletas, aviões e a tradicional máquina de costura que simboliza a indústria têxtil no Agreste), além de árvores e utilitários (bancos, abajures).

O artista tem peças expostas de forma permanente no Museu do Tietê, em São Paulo, na Universidade de Fortaleza, no Ceará, no Museu do Barro, em Caruaru, e no Museu da Sulanca, em Santa Cruz do Capibaribe. “Também há várias peças particulares que estão em Minas Gerais e até na Inglaterra”, orgulha-se Luiz Carlos. No seu currículo está a exposição Do Sertão à Ficção aos pés das montanhas, que circulou em dois shoppings no Estado.

O artesão – que começou pela Fenearte no estande da prefeitura e depois de uma associação – em 2019 conseguiu ter um espaço próprio na feira. Neste ano, Luiz Carlos estava presente em vários espaços na Fenearte. Além do estande próprio, suas peças estavam nos espaços da Prefeitura de Brejo da Madre de Deus e do Sebrae e na Galeria de Reciclados. Entre os trabalhos mais destacados do ano estiveram a premiada escultura Pedra, energia das montanhas (que estava na galeria) e o Rugido da Arte aos Pés das Montanhas, o leão que ele montou para fazer a foto ao lado. A peça era alvo de desejo de muitos visitantes na feira.

No município do Brejo, ele fez uma instalação de metal sobre uma grande pedra no Sítio Conceição, que fica próximo à Serra da Prata, no formato de um coração. O título da obra é Coração de Pedra, a energia das montanhas.

Luiz Carlos produz esculturas para diversos tipos de clientes. Suas peças variam de R$ 50 a R$ 30 mil. O artesão tem sonho de estruturar seu ateliê para capacitar outros jovens da cidade com oficinas de artesanato. “Gostaria de ter um lugar, como uma escola, para incentivar a molecada a fazer arte”.

Serviço: O ateliê de Luiz Carlos Melo fica na Rua General Dantas Barreto, no Brejo da Madre de Deus, em frente ao Estádio Municipal. Você pode conhecer mais sobre as obras do artesão no Instagram @LuizCarlos.Arte.

*Por Rafael Dantas, repórter da Algomais (rafael@algomais.com)

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