Cais do Sertão realiza rodas de conversa sobre mulheres que são Patrimônio Vivo de Pernambuco

Cais do Sertão realiza rodas de conversa sobre mulheres que são Patrimônio Vivo de Pernambuco

Publicado em 11/03/2020 por Revista algomais às 7:00
Encontros acontecem de 11 a 13 de março, a partir das 14h30, no Sala Todo Gonzaga (Foto: Priscila Buhr)

Para celebrar o mês dedicado às mulheres, o Centro Cultural Cais do Sertão, em parceria com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) promove rodas de conversa para destacar a trajetória das mulheres que são Patrimônio Vivo de Pernambuco,
a exemplo da cirandeira Lia de Itamaracá e da repentista Mocinha de Passira.

Os encontros acontecem a partir desta quarta-feira e até a sexta, sempre começando às 14h30, na Sala Todo
Gonzaga, dentro do museu. Outro presente para as mulheres é a entrada gratuita no museu até domingo (15). “As
rodas de conversa buscam destacar o protagonismo da mulher pernambucana na cultura e história do Estado. Patrimônios Vivos de Pernambuco vão falar das suas artes e ofícios, da suas experiências, que marcam fortemente a nossa história. Cumpre, assim, o Cais do Sertão, a sua função como centro cultural, de auxiliar na preservação e manutenção da herança cultural e tradições do nosso povo”, destaca o secretário de Turismo e Lazer de Pernambuco, Rodrigo Novaes.

Nesta quarta-feira (11), a temática é a atividade de partejar, mantida há mais de 60 anos por Maria dos Prazeres de Souza, a Dona Prazeres, 82 anos. Durante todo este tempo, foram mais de cinco mil partos – e nenhum óbito no currículo. Além dela, participam da roda de conversa a parteira Dani Siqueira e a psicóloga Dan Gayoso, que atua na preparação e assistência ao parto como educadora perinatal e doula. A mediação é da antropóloga Elaine Müller, da UFPE.

Na quinta-feira (12), serão tratadas às mestras nas expressões culturais. O bate-papo vai reunir a cirandeira Lia de Itamaracá, a repentista Mocinha de Passira, a circense Índia Morena e a brincante Cristina Andrade, mestra de ciranda, pastoril e urso. A conversa será sobre a riqueza das expressões culturais de Pernambuco, além de um pouco da trajetória de cada uma delas. Haverá ainda uma homenagem a todas às mulheres Patrimônio Vivo de Pernambuco com um certificado. Selma do Coco e Ana das Carrancas, já falecidas, também serão destacadas.

Para fechar a semana, na sexta-feira (13), o artesanato pernambucano ganha atenção. O papo será mediado pela
coordenadora de Artesanato da AD Diper, Maria do Socorro Leão, e contará com a participação das artesãs Neguinha e Mauricéia Henrique Silva, da Associação de Artesãs Flor de Barro, de Caruaru. A gestora do Museu do Barro, de Caruaru, Maria Amélia Carneiro Campello, e a doutora em design Ana Andrade, uma das criadoras do laboratóri
Imaginário, também participam.

SERVIÇO

Rodas de conversa com mulheres Patrimônio Vivo de Pernambuco – De
11 a 13 de março, às 14h30, no Centro Cultural Cais do Sertão – Av. Alfredo Lisboa, s/n, Bairro do Recife, fone: 3182-8266. Entrada franca.

MAIS SOBRE AS HOMENAGEADAS:

Dona Prazeres (parteira) –
Pelas mãos de Dona Prazeres, uma multidão, a parteira tradicional teve seus saberes repassados por sua mãe e que já ajudaram a “colocar no mundo” milhares de pessoas.. Parteira há mais de 60 anos com mais de 5 mil partos e nenhum óbito no currículo, Prazeres tem propriedade para falar da potência de um momento que pode ser a expressão máxima da fortaleza feminina, não só pelo esforço físico, mas também pelo que a maternidade representa. O título de Patrimônio Vivo de Pernambuco foi dado em 2017.

Lia de Itamaracá (cirandeira) – Soberana, feito uma deusa surgida das águas do mar ou uma rainha plena de realeza, é assim que Lia sempre aparece, levando-nos ao prazer de ouvir e dançar uma ciranda. Sim, porque ninguém fica imune ao ritmo da ciranda, muito menos aos encantos da filha de Iemanjá, que se habituou a cantar desde criança, na praia de Jaguaribe, localidade da Ilha de Itamaracá onde nasceu em 12 de janeiro de 1944 e vive até hoje. Com o porte e a realeza da soberana Iemanjá, a artista comanda as atividades do Centro Cultural Estrela de Lia, transformado desde 2008 em Ponto de Cultura, onde são oferecidas oficinas de arte, cerâmica, percussão, fotografia, malabares, rabeca, teatro, cavalo-marinho. Permanecem, ainda, as temporadas de apresentação artística: recitais poéticos, bandas alternativas, duplas de violeiros, filhas de Baracho, e, claro, a tradicional ciranda de Lia. Toda a programação cultural é gratuita e sempre conta com o envolvimento da comunidade local, ou seja, os habitantes da Ilha de Itamaracá, e especificamente os da praia de Jaguaribe. Dentre os títulos que conquistou estão o do Ministério da Cultura, que instituiu o Ponto de Cultura Lia de Itamaracá, e o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, em 2005.

Mocinha de Passira (repentista) – Maria Alexandrina da Silva, com apenas cinco anos de idade, previu: “um dia vai aparecer um rádio em que o cara vai poder ver as pessoas dentro”. Uma verdadeira peleja contra o machismo é o que Mocinha tem travado ao longo de sua trajetória no repente. Em 1976, só após quase 20 anos de estrada, Mocinha teve a oportunidade de registrar seus versos em um disco. Foi a única mulher repentista a participar das gravações de um marco importante para a discografia do gênero, o LP Viola, Verso, Viola, do Estúdio Rozenblit. Além do Diploma de Patrimônio Vivo, que ganhou em 2016, exposto em lugar de destaque na parede da sala, a repentista também guarda em Passira fotografias, recortes de jornais, troféus e outros registros de uma vida inteira dedicada a uma das mais ricas expressões da cultura popular nordestina.

Cristina Andrade (mestra )- Representante das manifestações da cultura popular como a ciranda, o pastoril, o urso de Carnaval, a Bandeira de São João, a Lapinha, dentre outras, Cristina Andrade desde criança está ligada à cultura pernambucana. Aos seis anos de idade, começou a dançar pastoril, no bairro do Alto do Pascoal, no Recife. Sua mãe teve forte influência para sua interação na cultura popular. Conhecida como Dona Dengosa, a mãe da candidata criou, em 1958, o Pastoril Estrela Brilhante e, dez anos mais tarde, a Ciranda Dengosa, da qual Cristina posteriormente se tornou mestra cirandeira. Cristina também se tornou cantora e organizadora dos corais dos blocos: Após Fun, Bloco do Amor, Diversional da Torre e Urso Cangaçá, colecionando diversos títulos em todos os folguedos que participa. Do mesmo modo, também tem preservado e transmitido seus valores para filhos, netos e bisnetos. Ganhou seu título em 2018.

Índia Morena (Circense) – Contorcionista, trapezista voadora, acrobata, cantora, ginasta, atriz circense. Eis aí alguns dos atributos da grande dama do circo pernambucano: Margarida Pereira de Alcântara. Ou, Índia Morena, nome artístico deliberadamente escolhido por serem índios o pai e a avó paterna. Destacada pela dedicação profissional exclusiva à vida circense, Margarida convive desde os dez anos com o magnetismo do mundo dos mágicos, palhaços, humoristas, rola-rola, malabaristas, equilibristas. O título de Patrimônio Vivo de Pernambuco foi dado em 2006.

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