Mundo árabe recebe exportações pernambucanas

Mundo árabe recebe exportações pernambucanas

Publicado em 09/04/2019 por Revista algomais às 8:05
Foto: Tom Cabral/Algomais

Países como o Iêmen, Líbano, Mauritânia e Emirados Árabes estão entre os destinos das exportações pernambucanas. Mesmo com um percentual pequeno do total de produtos do Estado que atravessam as fronteiras do País, chegam nessa região itens como açúcar, uvas, gasóleo (óleo diesel) e até cosméticos. Uma semana após a visita do presidente Jair Bolsonaro à Israel, que criou um desconforto com os palestinos, conversamos com dois empresários com atuação em Pernambuco que fazem exportações para a Liga Árabe para compreender se a conduta do presidente traria impactos nos seus negócios. Eles acreditam que não e, por outro lado, apontam que há muito campo para crescer nesse comércio.

Nos dois primeiros meses de 2019, dados do Ministério da Indústria e Comércio Exterior e Serviços apontaram que já foram exportados de Pernambuco para os Países da Liga Árabe um volume de US$ 5,2 milhões. O montante representa 3% das exportações pernambucanas no ano, segundo o consultor de comércio internacional e fellow do Iperid, João Canto. Em 2018, Pernambuco exportou US$ 35,5 milhões para esses países. No ano passado o Marrocos foi o principal destino dos produtos do Estado (US$ 23,6 milhões).

Um dos produtos mais exportados por Pernambuco para a Liga Árabe é o açúcar (apesar do Estado nem ser o maior exportador do produto no Nordeste). De acordo com o diretor da Trading Sucden no Nordeste, Fernando Uchôa, 40% do açúcar na região segue para os países muçulmanos e que hoje a maior refinaria do mundo está em Dubai.

“É possível haver algum tipo de retaliação por causa da política externa do Governo Bolsonaro com Israel. Mas acho que o próprio Governo Federal, que é muito eficiente na sua política de comércio exterior, vai tentar se adequar. O próprio presidente sentiu isso e foi inteligente em recuar na transferência da embaixada para Jerusalém”, comentou o empresário.

Uchôa afirma que o Nordeste exporta para países como Argélia, Tunísia, Iêmen e Síria. Embora Pernambuco não seja um grande exportador de açúcar VHP (que é refinado apenas no exterior), o Estado é o principal produtor e exportador brasileiro de açúcar refinado. A Sucden exporta açúcar das usinas Petribú, Olho D’água, Trapiche, São José e Ipojuca. “Apesar dessa região já ser uma grande compradora, ainda há tendência de crescimento, inclusive nos países de confissão muçulmana”.

Uma das dificuldades para exportação do açúcar pernambucano, na avaliação de Uchôa, é bem local: o baixo calado do Porto do Recife.

COSMÉTICOS

A empresária pernambucana Marcelle Sultanum, da Rishon Cosméticos, afirma que os produtos da sua marca começaram a chegar no Líbano e no Iraque há aproximadamente 6 meses. As negociações para a entrada nos Países Árabes duraram em torno de três anos. Após a primeira exportação, que teve um volume de US$ 60 mil dólares, já estão abertas as conversas para entrada de novos produtos nesta região.
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Exportador para o Líbano e para o Iraque, a Rishon, da empresária Marcelle Sultanum, não percebeu nenhuma mudança no relacionamento com os compradores do mercado árabe.

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Marcelle afirma que os interlocutores do mundo árabe, que estão em negociações com ela, sequer comentaram qualquer declaração do presidente Jair Bolsonaro. “Não houve nenhum impacto, nenhuma alteração no relacionamento com os clientes. E há um grande potencial de expansão nas exportações para essa região”, avalia a empresária.

Destacam-se ainda na exportação de Pernambuco para os Países da Liga Árabe as frutas do Vale do São Francisco. Mas não conseguimos contato com a associação dos produtores da região até o fechamento deste post.

O pico das exportações para a Liga Árabe foi em 2014, quando a Síria era o principal destino das exportações pernambucanas na região  (US$ 37,2 milhões), seguida da Líbia (US$ 35,2 milhões), a Liga Árabe era responsável por 11% das exportações pernambucanas.

“Acredito que as autoridades brasileiras devem avaliar minuciosamente e racionalmente o risco de cada uma das ações e decisões que pretendem tomar acerca deste delicado tema, principalmente nas possíveis consequências comerciais. Caso contrário, grande parcela dos produtos que seriam destinados às exportações poderá permanecer estagnada no mercado doméstico”, afirmou o consultor João Canto.

*Por Rafael Dantas é repórter da Revista Algomais e assina a coluna Gente & Negócios (rafael@algomais.com)

 


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