Pernambuco receberá investimento de R$ 110 milhões com novo Data Center

Pernambuco receberá investimento de R$ 110 milhões com novo Data Center

Publicado em 20/10/2020 por Revista algomais às 5:00
Centro de processamento de dados e landing station para cabo submarino SeaBras-1 começarão a ser construídos em maio de 2021. Projeto beneficiará quase todo o Nordeste. Foto: Marlon Diego/SDEC

A capital pernambucana receberá um aportr de mais de R$ 110 milhões (US$ 20 milhões) para instalação de um novo Data Center na cidade. A estrutura atenderá sete estados do Nordeste e terá capacidade de aproximar grandes players do setor de Tecnologias da Informação e Comunicação ara o Estado.  As obras serão iniciadas em maio do próximo ano, com perspectiva de iniciar as operações em janeiro de 2022.

O investimento contemplará a construção do novo Data Center (Tier 3 com 400 racks), além de uma landing station para o cabo submarino anunciado em 2019 pelo Governo do Estado será realizado pelo consórcio de investidores Recife Co., em parceria tecnológica com a Seaborn Networks, empresa sediada em Boston, Massachusetts (EUA).

A atração do Data Center é o segundo passo do consórcio de investidores após o anúncio do cabo submarino, que vai conectar Pernambuco à internet global de alta performance e, consequentemente, reduzir o custo pela contratação de conexão de baixa latência (maior velocidade). “São investimentos volumosos, que vão ao encontro do que a gente acredita dentro da economia do conhecimento e da melhoria da infraestrutura da rede de dados de Pernambuco. Vamos dotar o Estado de condições cada vez melhores para estarmos dentro de um contexto mundial de economia do conhecimento, economia criativa e muita geração de emprego e renda na área da tecnologia da informação”, reforçou o governador Paulo Câmara.

A expectativa do grupo de investidores é que o projeto, quando atingir sua maturidade, fature até R$ 320 milhões por ano. O centro de tratamento de dados será acoplado às instalações da Estação de Aterrissagem (CLS – Cable Landing Station) da derivação do cabo submarino do SeaBras-1, projeto que exigiu tratativas por mais de dois anos entre o governo estadual, Prefeitura do Recife e empresários. O investimento de US$ 20 milhões vai complementar os US$ 40 milhões que serão aportados na construção do cabo, a partir de agosto de 2021 – empreitada também bancada pela Recife Co., em parceria com a Seaborn Networks.

“Este é um empreendimento importante que muda a qualidade, a velocidade e a estabilidade da internet na nossa cidade. Melhora para quem investe na área de tecnologia, para as empresas da área e também para todo mundo na sua vida cotidiana. A internet está cada vez mais no dia a dia e nos negócios em nossa sociedade”, afirmou o prefeito Geraldo Julio.

Fazendo a conversão em real (com a cotação do dólar a R$ 5,562), a iniciativa significará a injeção de mais de R$ 330 milhões em infraestrutura de ponta centralizada na capital pernambucana. “Esse é um relevante investimento em Infraestrutura para a economia do século 21. Contar com um centro de processamento de dados com essa capacidade, inédito ainda no Estado, vai conferir produtividade não apenas para as empresas, mas para o setor público, a Academia, instituições de ensino de todos os portes e também para a população em geral. Dispor de alta conectividade a baixo custo é indispensável para o desenvolvimento das habilidades exigidas no novo mercado de trabalho global”, destaca o secretário Bruno Schwambach.

Para Halim Nagem, um dos empresários que integra o consórcio, o investimento melhorará ainda mais o ranking de Pernambuco e da cidade do Recife como opções para novos negócios para grandes corporações nacionais e internacionais. “A oferta de tráfego de dados em alta velocidade e com segurança é um dos primeiros critérios a serem observados pelos investidores. Mas mesmo os pequenos negócios e pessoas físicas também irão tirar proveito dessa operação”, observa. “A tecnologia estará disponível para todos. Já somos um polo logístico e tecnológico e, com esse aporte, daremos um salto ainda mais qualitativo”, complementa.

O empreendimento também deve funcionar como fator de atração para grandes players de tecnologia aportarem no Porto Digital, parque tecnológico de classe internacional que em 2019 abrigava mais de 339 empresas, gerando mais de 11,6 mil empregos diretos. O faturamento do Porto, no ano passado, foi de R$ 2,35 bilhões. Para se ter uma ideia, o polo pernambucano de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é o terceiro maior contribuinte de ISS (Imposto Sobre Serviços) do Recife, atrás de saúde e educação.

“Sem dúvida alguma, a chegada desses dois ativos a Pernambuco irá proporcionar um incremento nos negócios do Porto Digital, ajudando a atrair novas empresas e startups que para o nosso parque tecnológico, o que vai gerar um aumento significativo de empregos e faturamento no ecossistema da tecnologia da informação e da economia criativa no Recife e em todo o Estado”, reforça o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena.

ENTENDA O PROJETO
O Data Center da Recife Co. atraído para Pernambuco funcionará como um complexo de três pisos, dividido da seguinte forma: no térreo, haverá uma área dedicada ao desembarque do cabo submarino SeaBras-1, estrutura de 500 quilômetros que colocará o Recife em conexão direta com São Paulo e Nova York, duas das maiores capitais financeiras das Américas. A conexão que chegará à capital pernambucana fará uma “ponte” com a já existente estrutura de 10,5 mil Km de cabos do SeaBras-1, que começa em NY e vai até Praia Grande (SP) pelo fundo do mar.

Este piso abrigará uma parte do complexo denominada “Cable Landing Station”. No mesmo nível ficarão as construções para os equipamentos da subestação, moto gerador, sistema de energia ininterrupto, central condicionadora de ar e equipamentos de energia para o cabo submarino. Além disso, a sala de Telecom para entrada e saída de cabos de fibras óticas, escritórios, salas de reunião, recepção, depósito e construções auxiliares.

O primeiro e segundo andares, por sua vez, serão compostos de “data halls” (salas para abrigar os servidores das empresas contratantes). Eles serão preenchidos em quatro fases, cada uma com 100 “racks” para servidores e cada rack com potência média permitida de 10KW cada um. Com a ocupação plena com todos os “data halls”, o consumo de energia será 5MW. De acordo com a Recife Co., a infraestrutura do centro de processamento de dados será suprida por duas linhas independentes de energia elétrica de alta tensão de 13,8 KV.

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