Fim do efeito viral: como a não exibição de curtidas nos afeta

Fim do efeito viral: como a não exibição de curtidas nos afeta

Publicado em 18/07/2019 por Revista algomais às 9:59
Criador do Freesider Meeting, o maior evento de marketing digital do Nordeste, Fagner Borges explica os motivos que podem estar por trás da decisão do Facebook e como continuar relevante agora que a novidade chegar ao Brasil

FOMO,essa pequena sigla em inglês que resume o conceito de Fear of Missing Out ou “medo de ficar de fora” determina boa parte das nossas interações em rede. É a vontade de fazer parte do que nos faz curtir, publicar e interagir com os novos memes, eventos e tags que surgem a cada novo post. Conforme já tinha anunciado, o instagram começou a esconder o número de curtidas em suas postagens.

Especialista em marketing e criador do Freesider Meeting, evento que reúne no Nordeste os nomes mais relevantes do mercado digital, Fagner Borges explica que a decisão da empresa pode estar ligada à prática de inflar o número de seguidores que se propagou na rede. “Uma postagem com muitas curtidas tende a atrair mais a atenção do usuário. Isso estimulou a criação de robôs e perfis falsos usados apenas para fabricar influenciadores que surgem da noite para o dia, e que por conta do efeito manada acabam se tornando celebridades reais”, explica. “Ao esconder os números de curtidas de uma postagem, as redes sociais buscam limitar esse tipo de ação e evitar que esses números influenciem no resultado de um conteúdo. As pessoas se tornam reféns do engajamento de suas postagens e começam a postar bobagens apenas para gerar clique e curtidas, sem o foco real de gerar valor para a comunidade”.

O efeito manada: porque curtimos o que já está em alta

Fagner Borges lembra que “nós somos seres instintivamente criados para agir conforme a maioria” por isso tendemos a interagir com algo que está em alta. “A prova social é um gatilho muito forte e ajuda na manipulação do algoritmo das redes sociais. Segundo explica Robert Cialdini no livro Armas da Persuasão, nosso cérebro usa atalhos para tomada de decisão de forma a economizar energia”, detalha. “Funciona assim: se eu sou novo na cidade e vejo dois restaurantes um de frente para o outro, um está com fila de espera e outro está vazio. Qual eu devo escolher? Provavelmente você respondeu, o que está mais cheio! Mas estar mais cheio realmente garante que ele é melhor? Não necessariamente”. O especialista lembra que na vida real o estabelecimento poderia estar cheio por uma série de fatores, mas acabamos não considerando isso na tomada de decisão. “Ele poderia estar cheio porque tem uma festa, ou porque acabou de abrir. Ou pode simplesmente ter contratado um monte de figurante para dizer que está lotado. Você não tem como saber”, aponta. “Mas o nosso cérebro pressupõe que será melhor, de forma a economizar energia. Esse é o gatilho da prova social. O mesmo acontece com a rede social, porque as plataformas online nada mais são do que uma reprodução de como agimos off-line”.

Fim do efeito viral?

Fagner lembra que a partir do momento que o número de curtidas deixar de existir, prática que começou a ser testada em outros países pela plataforma, nossa interação em rede pode mudar. “O atalho mental da prova social usado por essa funcionalidade deixará de influenciar o comportamento dos usuários”, aposta. “Isso pode tornar mais real a exposição dos reais interesses da audiência na rede”. Na prática, vamos curtir apenas conteúdos com os quais nos identificamos ou que são realmente relevantes de alguma maneira para nós.
Com essa novidade, a forma como as empresas atuam para expor sua marca e todos os formadores de opinião que estão em rede devem mudar o formato de atuação. “Conteúdos focados em ‘forçar’ uma interação, provavelmente, perderão força”, prevê o especialista. O especialista lembra que empresas que possuem o foco em gerar real valor para sua audiência não devem perceber mudança de impacto. “Afinal, curtidas não pagam conta! Agora, quem vive de mostrar que é o bam-bam-bam na rede passa a ter muito mais dificuldade de comprovar seus resultados”, analisa. “Outra classe que deve ser bem impactada são os micro-influenciadores e as pequenas marcas que utilizam da compra de recomendação destes. Pois uma das métricas usadas para ver se um influenciador é realmente forte, é a quantidade de curtidas em suas postagens”.

Para o criador do Freesider Meeting, ao não ter como analisar esses dados ficará mais difícil para essas marcas definirem quais influenciadores contratarão. “Se você não quiser se preocupar com a quantidade de curtidas a sua postagem tem, você precisa ter o foco no resultado final, e não em métricas de vaidade”, aponta. “É preciso gerar valor real para o seu cliente, pois só assim ele se tornará um fã do seu trabalho e defensor da sua marca. E o principal, comprador recorrente do seu produto ou serviço”.

Como gerar valor em rede

Fagner explica que para as marcas e profissionais devem atuar para conseguir gerar resultados efetivos em rede terão que investir em relacionamento. “O primeiro passo é conhecer bem os problemas do seu cliente que você consegue resolver. Além dos problemas, quais os desejos que ele busca alcançar. Para isso é preciso se relacionar com o público”, ensina. “O segundo passo é criar conteúdo que ajudam esse cliente em sua jornada de conquistar seus objetivos e retirar os obstáculos”.

O trabalha das marcas deve ser para conquistar o cliente. “Se você ganha o coração do seu cliente, não precisa se preocupar com curtidas”, lembra “É melhor você ter 1.000 seguidores apaixonados que comentam, compartilham e compram, do que 10 mil que curtem a foto de gatinho, mas nem sabem qual é o seu produto”.

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