Leitura de livros clássicos na mira da educação

Leitura de livros clássicos na mira da educação

Publicado em 17/04/2019 por Revista algomais às 5:15
Projeto leva a estudantes obras que se tornaram atemporais, como Grande Sertão: Veredas, com o intuito de estimular a reflexão e o conhecimento.

Se estimular a leitura é um desafio, imaginar as crianças e adolescentes lendo clássicos parece um sonho mais ousado. Mas é isso o que propõe o projeto Círculos de Leitura, do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial. Algumas escolas, como o Colégio Equipe, também têm se dedicado a incentivar a apreciação desses livros que atravessam gerações.

O projeto Círculos de Leitura atende 135 escolas no Ceará e 17 em São Paulo com um programa que atua no acesso, mediação e no incentivo à reflexão e à produção textual sobre os livros clássicos. A proposta do instituto é que os estudantes leiam quatro livros e quatro contos em um ano. Existem encontros de leitura coletivas em voz alta. Os alunos recebem ainda uma carta com pequenas perguntas que provoquem uma reflexão. A garotada responde à carta e prepara um pequeno texto sobre as obras.

Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach, Guerra e Paz, de Liev Tolstói, e Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, estão na lista de publicações do repertório dessa iniciativa que já tem 20 anos. “Esses livros são profundos e atemporais, abrangendo um mar de conhecimentos. O projeto fornece aos jovens uma base sólida para o exercício do protagonismo, pautado nos valores éticos que essas obras transmitem”, afirmou a coordenadora Catalina Pagés.

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Fernando Braga ressalta que iniciativa coleciona histórias de transformação das crianças atendidas.

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“O principal resultado desse projeto são as histórias de transformação de várias crianças. O 11º filho de um lavrador no Ceará que passou pelo círculo está estudando medicina. Uma menina que veio de uma vila com 300 habitantes, na zona rural, estuda direito. Uma aluna da periferia de São Bernardo cursou jornalismo e está fazendo mestrado na China”, exemplificou Fernando Braga, diretor adjunto do Instituto. O projeto, que já teve uma experiência em Pernambuco, está em busca de financiamento privado para retornar ao Estado. Para funcionar por um ano, com três mil alunos, o projeto precisa de R$ 400 mil, o que significa R$ 11 reais por aluno por mês.

O professor de filosofia Jefferson Góes afirma que o Colégio Equipe, do Recife, está iniciando um projeto de incentivo à leitura dos clássicos. “Acreditamos que todo estudante deve concluir o ensino médio tendo lido algumas obras de referência de história, literatura, economia, entre outras áreas. Há um ganho intelectual muito grande e elas demandam mais esforço cognitivo e concentração. São uma fonte inesgotável de conhecimento e nos aperfeiçoam enquanto seres humanos “.

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*Por Rafael Dantas, repórter da Revista Algomais (rafael@algomais.com)

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