“Toda empresa com um alto fluxo de dinheiro se tornará uma fintech.”

“Toda empresa com um alto fluxo de dinheiro se tornará uma fintech.”

Publicado em 28/10/2020 por Revista algomais às 4:42
EDÍSIO PEREIRA NETO é CEO do Zro Bank analisa as tendências das fintechs no Brasil e no mundo.

Você deve ter recebido várias mensagens do seu banco convidando-o para se cadastrar no PIX, um novo meio de pagamentos instantâneo desenvolvido pelo Banco Central. A expectativa é que o sistema substitua DOCs e TEDs, por ser gratuito e estar disponível a qualquer dia e hora. Essa é apenas uma das transformações digitais que estão a caminho e têm causado uma ferrenha disputa entre fintechs e bancos tradicionais. No ritmo dessas inovações, a notícia do lançamento do primeiro banco digital do Nordeste, comandado pelo pernambucano Edísio Pereira Neto,
de 32 anos, mostra como esses tempos disruptivos são surpreendentes. Nesta entrevista a Cláudia Santos, o CEO do Zro Bank fala sobre os planos da fintech que se prepara para uma expansão internacional, o impacto do PIX e do chamado open banking na vida das pessoas e o futuro das criptomoedas, que segundo ele, estão sendo criadas por nações como a China, os Estados Unidos e até o Brasil, além de empresas como o Mc’Donalds.

Fale um pouco sobre sua carreira. Quando começou a trabalhar e como foi criar o Zro Bank?

Eu comecei a empreender aos 16 anos, fundando uma empresa de câmbio no Recife, chamada Europa Câmbio. Conseguimos crescer bastante e ter mais de 15 lojas no Nordeste até concretizar a venda da companhia para o Grupo B&T, da qual recebi parte do pagamento em dinheiro e parte em participações, além de ser convidado para assumir o cargo de diretor estatutário da B&T Corretora.

Durante dois anos, liderei o setor de negócios da B&T Corretora, com mais de 300 colaboradores, ajudando a atingir o posto de maior corretora do Brasil, com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Miami, além de 200 lojas em todo o País, superando o volume de mais de R$ 35 bilhões em câmbio por ano.

Em 2018, fui co-fundador da fintech Bitblue, uma plataforma online que integra o mercado de criptomoedas internacional com o nacional e que ainda no primeiro ano superou mais de R$ 700 milhões em vendas no site, sendo acelerada pela Endeavor, após ser eleita no programa de melhores startups do Brasil.

Em 2019, mesmo atingindo o auge da minha carreira, aceitei o convite para ser CEO do Zro Bank, um projeto ousado de criar o primeiro banco digital multimoedas do Brasil, atuando com tecnologia de ponta, em blockchain, e com serviços inovadores como transferência de dinheiro via chat, pagamentos digitais com QR Code e portfólio de moedas digitais.
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O banco entrou no ar há 30 dias e superou a marca de mais de 10 mil contas. Agora, estamos focados em planejar a internacionalização do Zro Bank, que foi selecionado no TOP 10 Fintechs pelo prêmio mundial da Visa além de citado no ranking das 100 melhores startups da América Latina pelo Innovation Awards.

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O desenvolvimento do projeto durou pouco mais de um ano e foi marcado como o primeiro banco digital desenvolvido no Nordeste e selecionado como TOP 10 Fintechs pelo prêmio mundial da Visa, em Miami, além
de citado no ranking das 100 melhores startups da América Latina pelo Innovation Awards.

O banco entrou no ar há 30 dias e rapidamente superou a marca de mais de 10 mil contas. Agora, estamos focados em planejar o próximo passo: a internacionalização do Zro Bank. É importante deixar claro que o Zro Bank é um banco digital feito para qualquer tipo de pessoa pois, de um jeito simples e leve, disponibilizamos todos os serviços financeiros com zero taxa, desde conta digital, TEDs ilimitados, cartão sem anuidade, emissão de boletos, pagamento de contas, etc. O bitcoin é apenas um produto disponível em nosso aplicativo, que utiliza quem quer e quem não entende nada de criptomoeda, não tem problema, pode usar o banco da mesma forma e usufruir de todos os serviços gratuitos.

Como você avalia as perspectivas das fintechs no Brasil?
São as melhores possíveis. Durante muitos anos o Banco Central foi visto como um obstáculo para o empreendedor,
privilegiando sempre os cinco grandes bancos do País. O cenário atual mudou radicalmente e eu sou fã do trabalho feito pelo Roberto Campos Neto que vem abrindo cada vez mais oportunidades e descentralizando o poder dos grandes players que agora estão correndo atrás de adquirir suas próprias fintechs. Movimentos como o open banking e PIX são marcos que irão mudar a vida do brasileiro para sempre, tanto o consumidor quanto o empreendedor.

Qual o motivo da disputa entre bancos tradicionais e as fintechs em cadastrar clientes para serem usuários do PIX e qual o impacto do PIX no mercado financeiro do Brasil?
A disputa é a mesma de sempre, todos querem ter cada vez mais clientes em sua base, seja com contas, cartões e agora PIX. Faz parte de uma disputa saudável, em que, agora, não é mais só o dinheiro que comanda, pois estamos vendo muitas fintechs com orçamentos inferiores tendo mais sucesso do que os grandes bancos com propagandas na televisão.

O fato é que o PIX vai mudar a história do mercado financeiro e do consumo no Brasil, permitindo pagamentos 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem custos e com confirmações imediatas. Tudo isso trará um dinamismo ao mercado, gerando muita redução de custo com intermediadores, criando uma nova onda de pagamentos com QR Code que tem tudo para acabar de vez com o cartão, assim como funciona na China.

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O aplicativo do Zro Bank permite realizar transações financeiras em real e bitcoin. Qual é o futuro das criptomoedas, uma vez que a China já anunciou a criação de sua moeda digital?

Sabemos que criptomoeda é a próxima curva do mercado financeiro e é por isso que a China já está testando sua própria criptomoeda, além dos Estados Unidos que está em fase de desenvolvimento e até o Brasil que montou um grupo de estudos pensando em criar a sua até 2022. Acreditamos que essa será a tendência de todos os países no mundo, porque dinheiro em papel custa caro e criptomoeda é rápida, rastreável, segura e permite a inclusão financeira mundial.
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Imagina se todos os brasileiros tivessem uma conta digital e o governo uma criptomoeda? Todas as filas da Caixa Econômica para receber ajuda de custo não seria mais necessária, pois apenas com um clique, o governo poderia creditar todas as contas.

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Percebemos que além dos países, grandes empresas estão também com suas moedas digitais, tokenizando seus ativos e criando um possível novo mercado de ações, assim como Facebook e Mc’Donalds, que estão testando suas próprias criptomoedas. Então, as pessoas terão que se acostumar a comer um BigMac e receber um cashback em criptomoedas da Mc’Donalds, que pode valorizar ou desvalorizar e que você poderá trocar com a de outras empresas por meio de plataformas de trocas (exchanges). A vantagem de tudo isso é ter moedas com oferta e liquidez mundial. Em um único aplicativo, criamos o primeiro banco digital em blockchain. Uma plataforma capaz de integrar milhares de tokens e moedas do mundo, retirando todo o atrito que ainda há entre o mercado de cripto e o mercado tradicional.
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Quais as próximas tendências do setor das fintechs?
Acredito que toda empresa que tenha um alto fluxo de dinheiro se tornará uma fintech, desde varejistas a empresas de telefonia, etc. Isso já é realidade para alguns, mas será cada vez mais comum ter milhares de bancos digitais focados em um público bem específico. O brasileiro terá que se acostumar, assim como o americano, a ter contas em dezenas de bancos digitais gratuitos, para usufruir do melhor de cada um.

LEIA A ENTREVISTA COMPLETA COM EDÍSIO PEREIRA NETO NA EDIÇÃO 175.4 DA REVISTA ALGOMAIS

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