Faltam mulheres no setor de tecnologia

Faltam mulheres no setor de tecnologia

Publicado em 20/06/2019 por Revista algomais às 4:55

As mulheres são minoria entre os profissionais que trabalham nas empresas do Porto Digital. De acordo com Natália Lacerda, coordenadora do projeto MINAs, uma pesquisa de 2015 estimou que a participação feminina na força de trabalho no polo (não apenas na área tecnológica) era de apenas 30%. O problema, no entanto, está em todo o País. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, apenas 20% das profissionais da área de tecnologia são do sexo feminino. Em tempos em que a diversidade é tão valorizada nas empresas e que esse cluster tecnológico começa a importar trabalhadores para evitar um apagão de mão de obra, atrair mulheres para o setor virou um assunto estratégico e alvo de iniciativas da academia e das corporações locais.

O MINAs, por exemplo, atua na base do problema. O projeto tem o objetivo de atrair estudantes para cursos do setor de TICs e contribuir para mantê-las nas formações. “Existe uma grande evasão daquelas que entram nos cursos, que queremos ajudar a combater e, a partir, daí atrair mulheres para as empresas do Porto Digital. O desafio é tornar o ambiente mais acolhedor para as mulheres”, afirma Natália.

Entre as iniciativas para atingir essas finalidades está a realização de oficinas de programação para alunas do ensino fundamental e médio em escolas públicas (que contam com 50% de público feminino). Para quem já entrou no polo, está sendo construída uma creche para as profissionais que são mães. A obra é prevista para ser concluída em novembro. Também há um programa de coaching voltado para o desenvolvimento da carreira, além do apoio para aquelas que desejam ser empreendedoras no cluster tecnológico recifense, por meio do programa de empreendedorismo do Porto Digital, o Mind The Bizz.

Na UFPE, por iniciativa das professoras do Centro de Informática (Cin), nasceu o grupo Cíntia, com os mesmos objetivos de atração e manutenção de alunas nas graduações e pós-graduações. Trata-se de uma rede de apoio entre as mulheres que fazem parte do Cin. No leque de atividades dessa iniciativa estão a realização de oficinas de programação para adolescentes do ensino médio e até a promoção de um hackathon focado no público feminino, o Hack Grrrl, que acontece neste mês de junho.

EMPRESAS
Algumas empresas do Porto Digital já possuem processos mais avançados de inclusão de mulheres. A participação feminina na In Loco, por exemplo, está acima da média do mercado de TI brasileiro. “Atualmente, elas representam 34% da nossa força de trabalho e atuam como diretoras, gestoras, engenheiras, analistas e estagiárias”, detalha Thaís Cavalcante, diretora de pessoas da empresa.

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Ter profissionais do sexo feminino contribui para a diversidade e a criatividade das equipes. Na In Loco, segundo Thaís Cavalcante (abaixo), elas atuam como diretoras, gestoras, engenheiras, analistas e estagiárias.

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Thaís explica não haver um programa específico para atração do público feminino, mas os critérios usados na contratação de novos profissionais tornam o processo seletivo igualitário em relação a gênero, orientação sexual ou religiosa. Entre as iniciativas de responsabilidade social da empresa está a realização do evento Mulheres na Tecnologia. Nessa ação a empresa recebe 80 alunas do ensino estadual de Pernambuco no escritório recifense para incentivá-las a seguirem a carreira na área de tecnologia.

Na Accenture trabalham 700 mulheres, que também correspondem a 34% do quadro. No Brasil, a força de trabalho feminina da multinacional representa 42% do total de profissionais. “O objetivo da empresa globalmente é atingir 50% de mulheres até 2025. O tema de inclusão e diversidade é tratado com muita seriedade e comprometimento pela organização e temos diversos programas de incentivo, desde a contratação até desenvolvimento e retenção. Incentivar a diversidade e o respeito pelo indivíduo são parte do nosso DNA, entendendo que sem diversidade não há inovação”, afirma Flavia Picolo, diretora executiva.

As profissionais da Accenture que são mães contam com seis meses de licença maternidade e ainda com a possibilidade de realizar metade do tempo de trabalho em home office durante o primeiro ano do bebê. A empresa possui ainda um programa de apoio e acompanhamento no retorno ao trabalho e também de desenvolvimento diferenciados para auxiliar consultoras e executivas na progressão de carreira.

De acordo com Silvio Meira, ter mais mulheres trabalhando na área de tecnologia é um sonho atual do Porto Digital. “Sofremos porque há poucas mulheres trabalhando no setor. As empresas que já possuem um percentual mais elevado de mulheres são mais articuladas internamente, com menos conflitos nos times e com maior facilidade de lidar com o mercado”.

*Por Rafael Dantas, repórter da Algomais (rafael@algomais.com)

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