Semana de reações contra o corte nas universidades

Semana de reações contra o corte nas universidades

Publicado em 13/05/2019 por Claudia Santos às 12:12
Foto: Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na próxima quarta-feira, 15, professores e servidores da UFPE e da UFRPE vão parar as suas atividades. Eles aderiram à Greve Nacional da Educação contra o corte de 30% no orçamento das universidades e das bolsas da CAPES para pós-graduação. O corte foi anunciado na terça-feira passada pelo ministro Abraham Weitraub.

Trata-se de mais um posicionamento do MEC da Era Bolsonaro que causou reações inflamadas nas redes sociais. Weitraub já havia anunciado a intenção de interferir no financiamento de ciências humanas e sugeriu que não respeitará a tradição de nomear para reitorias os primeiros colocados nas eleições internas da universidade.

Ele jogou mais água quente na fervura das polêmicas, quando num primeiro momento, disse que determinara o corte apenas para a Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal Fluminense (UFF). O motivo alegado: as instituições promovem “balbúrdia” nos seus campi e não apresentam o desempenho acadêmico esperado. Depois, decidiu ampliar o “contingenciamento” para todas as instituições acadêmicas federais, incluindo os institutos como o IFPE.

Ao participar do live semanal do presidente Jair Bolsonaro, o ministro recorreu a vários chocolates para explicar a redução dos recursos resumia-se a apenas 3,5%.
Independentemente do percentual do “corte” ou “contingenciamento”, o certo é que as declarações e as medidas do MEC acabaram por unir professores, reitores e alunos num movimento de reação. Uma união que acontece acima dos matizes ideológicos. Como ressaltou Mônica Bérgamo, na sua coluna, na Folha de S. Paulo, de domingo, “o DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UnB, por exemplo, que se define como liberal e não é alinhado à União Nacional dos Estudantes, vai se somar aos atos do dia 15.”

Universidades e institutos federais de Pernambuco planejam ampliar ainda mais o movimento. Hoje, às 15h, representantes das instituições se encontram com deputados federais em busca de apoio. A bancada pernambucana tem 25 parlamentares. Os educadores vão mostrar o impacto provocado pela tesoura do MEC que é de cerca de R$ 140 milhões em Pernambuco e de R$ 2,2 bilhões em todo o País.

O bloqueio atinge os bolsistas da CAPES e consequentemente as pesquisas. Mas também as áreas de custeio como limpeza, segurança, energia elétrica entre outros serviços. De acordo com os reitores, o corte inviabiliza o pagamento de despesas para manutenção, inviabilizando o funcionamento das instituições de ensino. O temor ainda maior é que também comprometa o atendimento gratuito dos hospitais universitários.

Além da paralização de quarta-feira, outra ação planejada em prol do ensino público é o Dia D da Educação, que acontece dia 21 deste mês. Professores, pesquisadores, funcionários e alunos das universidades e dos institutos vão ocupar espaços públicos para mostrar à população projetos das instituições de ensino superior.
Como se vê, a semana na educação em Pernambuco e no País promete ainda muitas emoções.

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