Oscar 2019: Saiba tudo sobre os indicados ao prêmio de melhor filme

Oscar 2019: Saiba tudo sobre os indicados ao prêmio de melhor filme

Publicado em 23/02/2019 por Wanderley Andrade às 13:59

O Oscar chega a 91ª edição este ano. A premiação mais tradicional de cinema no mundo acontece neste domingo (24), às 22h, no horário de Brasília, e terá transmissão na TV Brasileira. A íntegra da cerimônia pode ser vista ao vivo no canal por assinatura TNT, enquanto a Rede Globo exibe parte da entrega em tempo real, com flashes durante a programação. Oito longas disputam a estatueta de Melhor Filme. “Roma” tem sido apontado como o favorito ao prêmio, mas surpresas sempre podem ocorrer. Para que você conheça melhor as produções nomeadas à principal categoria, a Revista AlgoMais convidou os críticos de cinema Houldine Nascimento e Wanderley Andrade, que analisam aqui os oito trabalhos.

Por Houldine Nascimento e Wanderley Andrade

Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody passou por uma produção bem turbulenta: primeiro a troca do ator que interpretaria Freddie Mercury: devido a diferenças criativas, Sacha Baron Cohen deu lugar a Rami Malek, astro da série “Mr. Robot”. Em seguida, veio a demissão de Bryan Singer. O diretor, conhecido por seu trabalho em filmes da franquia X-Men, colecionou problemas com atores do longa, acusado de sempre chegar atrasado e de abandonar uma vez as gravações.

Problemas a parte, o filme foi um grande sucesso de público, ostentando o título de cinebiografia musical de maior bilheteria mundial, com um total de mais de US$ 750 milhões arrecadados. E contrariando a recepção negativa da crítica especializada que o levou a apenas 62% de aprovação no Rotten Tomatoes, ganhou o Globo de Ouro de melhor filme.

A grande atuação de Rami Malek também trouxe bons frutos: ganhou o prêmio de melhor ator no Globo de Ouro, no Bafta e no Sindicato dos Atores (SAG), o que o coloca como grande favorito ao Oscar. (WA)

 

A Favorita (The Favourite)

Com o maior número de indicações (10), ao lado de “Roma”, o novo filme do cineasta grego Yorgos Lanthimos narra situações bizarras envolvendo a Rainha Anne (Olivia Colman) durante o século 18 na Inglaterra. Sua amiga, Lady Sarah (Rachel Weisz), é quem na prática governa em seu lugar. A chegada da criada Abigail (Emma Stone) põe em xeque a condição de Sarah como a predileta da histérica monarca, às voltas com sua saúde frágil.

O jeito debochado de contar esta história quebra o cânone destas produções de época sobre a realeza britânica. Em sua carreira, Lanthimos se notabilizou por desenvolver um “cinema do absurdo”. Em “A Favorita”, ele traz elementos característicos do grotesco, mas de uma forma mais acessível ao espectador, com figurinos luxuosos de Sandy Powell e uma trama que mostra a mesquinhez da nobreza.

No fim de tudo, a personagem de Anne é mais trágica do que engraçada por tudo que a cerca e a interpretação de Colman é irretocável justamente por estar no limite de tudo isso. (HN)

 

Emma Stone concorre ao prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em “A Favorita”. Divulgação: Fpx Film do Brasil

 

Green Book (Green Book: o Guia)

Este é o filme com maior possibilidade de tirar o iminente prêmio de “Roma” na categoria principal. Nesta temporada de premiações, houve um momento em que “Green Book” estava na dianteira, mas alguns fatos negativos sobre a equipe de produção acabaram prejudicando o longa na corrida pelo Oscar. A começar por Peter Farrelly: surgiu a informação de que ele mostrava as partes íntimas para colegas com quem trabalhou. Talvez por isso não tenha sido nomeado como diretor.

Outro que contribuiu para puxar o filme para baixo foi o roteirista Nick Vallelonga. Um tuite seu datado de 2015 veio à tona. Na mensagem, ele concordava com uma afirmação de Donald Trump, o qual chegou a dizer que viu mulçumanos celebrando a queda das Torres Gêmeas, no atentado em 2001. Polêmicas à parte, a produção é feliz ao reconstituir uma arriscada turnê de um pianista clássico negro, Don Shirley (Mahershala Ali), pelo Sul dos Estados Unidos em 1962.

A segregação racial ainda imperava nesta região. Para esta jornada, o músico resolve contratar um motorista, o ítalo-americano Tony Lip (Viggo Mortensen), e daí resulta uma amizade. “Green Book” é uma comovente obra, que emprega humor em determinados momentos e fala sério quando necessário. É um belo filme de estrada e com dois atores em plena sintonia. A viagem serve para desarmar preconceitos do próprio Lip, na vida real pai de Nick Vallelonga. (HN)

 

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)

Spike Lee volta aos holofotes em “Infiltrado na Klan”. O prestigiado realizador estadunidense emprega toda sua força neste belo longa, partindo da história real daquele que teria sido o primeiro policial negro do Colorado, Ron Stallworth (John David Washington). No final dos anos 1970, este homem conseguiu a façanha de entrar na Ku Klux Klan local como filiado e evitar uma série de atentados programada pelo grupo extremista. Para isso, recebe a ajuda de seu parceiro, um policial judeu (Adam Driver).

O filme traz toda a intensidade de Lee. Aquela mesma intensidade de “Faça a coisa certa”, só que numa trama sem alguns hermetismos presentes no clássico de 1989. Essencialmente antirracista, a narrativa flui muito e é irônica por vezes. Uma curiosidade: o ator central, John David, é filho de Denzel Washington.

O desfecho traz imagens de grande impacto. Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, “Infiltrado na Klan” obteve seis nomeações ao Oscar e garantiu de forma inédita a Spike Lee um lugar na categoria de Melhor Direção. A maior chance do filme, no entanto, é em Roteiro Adaptado. (HN)

 

Nasce Uma Estrela (A Star Is Born)

“Nasce Uma Estrela” foi sucesso de público, com direito a boicote dos fãs de Gaga, na época da estreia, ao blockbuster “Venon” no intuito de bombar as bilheterias do filme com a cantora. Até chegar às telas, o longa passou por grandes mudanças, principalmente na direção e no nome da atriz que interpretaria a protagonista. No projeto inicial, Clint Eastwood sentaria na cadeira de diretor e a cantora Beyoncé viveria Ally. Em meio a produção, Beyoncé engravidou e não pôde assumir o papel. Clint preferiu dar prioridade a outros projetos.

A mudança não afetou negativamente o projeto. Além de protagonizar a história ao lado de Lady Gaga, Bradley Cooper assumiu a função de diretor, mostrando ter talento não apenas atuando. Lady Gaga também entrega uma boa atuação, ainda que não tenha sido tão grande o desafio, principalmente nas cenas musicais, apresentando o que faz de melhor. Resta saber se conseguirá tirar o Oscar de Glenn Close, favorita ao prêmio de melhor atriz. (WA)

 

Bradley Cooper e Lady Gaga encarnam os protagonistas no filme que atraiu grande público aos cinemas. Divulgação: Warner Bros Pictures Brasil

 

Pantera Negra (Black Panther)

Sem dúvida a grande surpresa entre os indicados a melhor filme. “Pantera Negra” é o primeiro representante no Oscar dos blockbusters de super-heróis. Há quem defenda que não mereça, considerando que seria um filme comum, do nível de tantos outros da Marvel. Mas Pantera Negra pode surpreender. O longa levou o prêmio principal do SAG Awards, o de melhor elenco. A premiação é organizada pelo sindicado de atores de Hollywood, termômetro importante para o Oscar.

Dirigido por Ryan Coogler, que tem no currículo o filmaço “Creed: Nascido Para Lutar”, “Pantera Negra” está entre os melhores filmes da Marvel, até melhor que o badalado “Vingadores: Guerra Infinita”. Coogler trouxe de Creed o bom ator Michael B. Jordan, ‎que assume o papel do vilão Erik Killmonger. O cast de Pantera Negra é formado predominantemente por atores negros, grandes atores, por sinal: Chadwick Boseman, Lupita Nyong’o, Daniel Kaluuya, Forest Whitaker e o já citado Michael B. Jordan.

“Pantera Negra” levar a estatueta de melhor filme? É sim bem difícil de acontecer, considerando concorrentes do porte de “Roma” e “Green Book: O Guia”. Mas quando o assunto é Oscar, tudo é possível. (WA)

 

Roma

Grande favorito ao prêmio de melhor filme e direção, “Roma”, do mexicano Alfonso Cuarón, pode fazer história no próximo domingo. Primeiro porque, se levar a estatueta de melhor filme, será a primeira produção de um serviço de streaming a ganhar na categoria. E caso se confirme o prêmio de melhor direção para Cuarón, será o quinto Oscar para um diretor mexicano nos últimos seis anos.

“Roma” é um filme que divide opiniões. Para alguns, muito arrastado, onde quase nada acontece. Para outros, uma jornada cheia de dor e emoção à rotina de uma família mexicana de classe média e sua relação com a empregada doméstica de raízes indígenas.

Cuarón fez quase tudo no longa: além de dirigir, escreveu o roteiro, produziu, montou e também assumiu a direção de fotografia. Por sinal, um belo trabalho de fotografia, rodado em preto e branco e no formato 70mm. (WA)

 

Vice

Esta é a cinebiografia do empresário Dick Cheney, vice-presidente dos Estados Unidos no governo de George W. Bush. O diretor e roteirista Adam McKay mostra como Cheney teceu sua trajetória política e realça o grande poder que teve enquanto ocupou a vice-presidência. Discreto aos olhos do mundo, o político conservador teve papel decisivo na chamada “guerra ao terror” ao convencer Bush a invadir o Iraque e justificar esta e outras medidas com factoides.

McKay utiliza da ironia em um longa-metragem com fortes marcas de sua direção. Quem é incumbido de encarnar Dick Cheney é Christian Bale. Para este papel, ele passou por uma profunda transformação física ao ganhar quase 20 quilos. O filme também faz uma passagem por períodos importantes da história norte-americana, destacando a presença de Cheney em outros governos republicanos e como ele cometeu diversas ilegalidades enquanto era vice-presidente.

Para contrapor sua voracidade no poder, “Vice” também abre espaço para a relação do biografado com a filha Mary (Alison Pill), abertamente homossexual. No elenco, ainda estão Amy Adams como Lynne Cheney, Sam Rockwell (Bush) e Steve Carell no papel do secretário de Defesa Donald Rumsfeld. O filme destrincha os bastidores da política estadunidense e ressalta como Dick Cheney teve clara influência no desenho atual do globo. (HN)

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