2021: Famílias endividadas é maior no Estado desde 2011

Do Senac

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela CNC e analisada localmente pela Fecomércio-PE, registrou um aumento expressivo do percentual de famílias endividadas em 2021. Pernambuco encerrou o ano com um quadro de 79,8% das famílias declarando apresentar alguma dívida, como cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, os créditos consignado ou pessoal, os carnês e os financiamentos de carro ou de casa.

O patamar, próximo a 80%, não era observado no estado desde 2011, quando chegou a atingir 81,3% no mês de julho. Na comparação anual, entre dezembro de 2021 e o mesmo mês de 2020, houve elevação de 3,1 pontos percentuais. Se comparado ao período pré-pandemia (fevereiro de 2020), a alta foi de 7,9 pontos percentuais.

O quadro preocupante no estado fica mais evidente quando se observa a composição do percentual de famílias segundo a percepção do grau de endividamento em que estão envolvidas. Em dezembro de 2020, era de 12,3% o percentual das que se declaravam ‘muito endividadas’ e, agora, em dezembro de 2021, essa proporção chegou a 22,8%.

Entre os estados da Região Nordeste, Pernambuco apresenta a terceira maior proporção de famílias endividadas, atrás apenas de Paraíba (92,2%) e Rio Grande do Norte (88,0%). Em nível nacional, o estado se encontra na 8° posição entre aqueles com maior proporção de famílias em situação de endividamento.

A parcela da renda comprometida com as dívidas, segundo as famílias no estado de Pernambuco, também avançou em relação ao final de ano de 2020. Em dezembro do ano anterior, a média era de 28,8% e alcançou 30,4% em dezembro de 2021.

COMPOSIÇÃO DAS DÍVIDAS

A percepção das famílias por tipo de dívida continua apontando o cartão de crédito como o principal componente, estando presente nas dívidas de 94% das famílias que se declaram endividadas. Em dezembro, as famílias também reforçaram o avanço das dívidas em carnês como componente relevante, o qual foi citado por aproximadamente 32%, percentual que era de 22,1% no final de 2020.

O cheque especial, por sua vez, arrefeceu o crescimento observado desde o final de 2020, quando sua importância era citada por 11,1% das famílias, tendo chegado a 14,1% em novembro de 2021. No último mês de dezembro, o percentual voltou ao mesmo patamar observado no final do ano anterior, ficando em 10,9%.

INADIMPLÊNCIA

No que diz respeito ao percentual de famílias com dívidas cujo pagamento se encontra atrasado, 32,9% se encontram nessa situação em Pernambuco. Esse resultado também posiciona Pernambuco em 8° entre os estados, segundo o percentual de famílias com contas atrasadas no último mês de dezembro.

Entre os estados do Nordeste, a pior situação é observada no Ceará. Com 46,1% das famílias se declarando endividadas e com contas atrasadas, o Ceará é também o estado com maior percentual de famílias nessa condição, em nível nacional.

Entre as regiões brasileiras, o Nordeste é a que tem maior presença de estados entre os 10 com grande percentual de famílias com contas em situação de atraso. São cinco estados, com percentuais acima de 25%: Ceará (1° em nível nacional, com 46,1%); Maranhã (4°, com 37,6%); Rio Grande do Norte (5° e 37,2%); Pernambuco (8° e 32,9%); e Bahia (10° e 29,4%).

O que se observou foi que, após uma breve melhora sobre a perspectiva de inadimplência durante o terceiro trimestre, o indicador voltou a subir no último bimestre de 2021, de 31,4% em novembro para 32,9% em dezembro, expressando a dificuldade das famílias em honrar as dívidas, mesmo com o aporte do 13° salário no final do de ano. Sobre esse aspecto, cabe destacar que o tempo médio de atraso das contas foi estimado em 58,4 dias, no mês de dezembro – patamar praticamente igual ao observado no final do ano anterior, com 59,1 dias.

CONDIÇÕES DE PAGAMENTO

O percentual de famílias que se dizem sem condições de pagar as contas atrasadas seguiu em elevação, encerrando o ano de 2021 em 17,3%. Esse não é o patamar mais elevado na série histórica recente – o indicador chegou a 18,3% em janeiro de 2018, e a 19% em julho de 2017 –, mas reforça a preocupação sobre o nível de inadimplência declarada pelas famílias no estado, uma vez que as condições de negociação das dívidas em atraso se deterioram perante a perspectiva de crescimento dos juros em 2022.

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