Cafeterias especiais ganham mercado no Recife

O cheirinho do café saindo do bule ou da máquina que enche todo o ambiente mexe com a memória e com o paladar dos brasileiros. Mas entre os milhões de consumidores diários da bebida, há um segmento que quer um pouco mais dessa experiência. São os interessados em cafés especiais, entusiastas por experimentar novos tipos de preparos e conhecer a procedência da marca. Uma demanda que fez crescer no Recife o número de cafeterias especializadas. No País, a tendência é de um crescimento em número de lojas numa taxa de 3,2% ao ano, segundo pesquisa do Euromonitor.

Não há uma estatística de quanto esse mercado tem crescido, mas os números da campanha Recife Coffee indicam o aquecimento do setor. O evento, que estimula consumidores a circularem pelas cafeterias da cidade, foi organizado no ano passado com 16 casas especializadas e neste ano agregou mais 9 participantes. O crescimento médio de faturamento de cada loja no período da campanha foi de 86%. “Nossa proposta é aumentar o consumo de cafés especiais, fomentar os pequenos negócios, fortalecer a profissão de barista e divulgar as cafeterias”, afirma Tallita Marques, uma das organizadoras da ação e proprietária da Malakoff Café.

Para incentivar que mais pessoas experimentem os cafés especiais e conheçam várias dessas cafeterias, os empresários lançaram mão de uma inusitada estratégia de marketing: o cartão infidelidade. Com ele, os clientes são convidados a percorrer um circuito indicado pela campanha e ao final ganham prêmios. No primeiro ano foram apenas 7 lojas. No seguinte 14. E para 2017 são mais de 20 casas interessadas.

Ao desbravar o mercado, Tallita se surpreendeu com a aceitação do público recifense pelas sugestões da Malakoff Café, que foi inaugurada em 2015. “Quando abrimos não estava disseminado o segmento dos cafés especiais, nem o uso de métodos artesanais, que foi o caminho que nos especializamos. Enfrentamos um paradigma grande, pois os clientes eram acostumados a tomar café expresso fora do lar e o coado era para casa. Mas a adesão para o consumo com as novas experiências que propomos foi muito grande”, afirma. A Malakoff, no ano passado, foi classificada entre as 20 melhores do Brasil pelo Guia das Cafeterias do País.

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Tallita, Alexandre e Emílio no encerramento do Recife Coffee

Recém-chegada ao mercado, a Cordel Cafés, localizada no Parnamirim, tem como diferencial a torrefação própria. Além do café caprichado, a casa já foi aberta com propostas diferenciadas, como a oferta de cursos conectados com a história e o preparo da bebida. Nos planos consta ainda tornar-se um centro de treinamento especializado. “Percebemos que o hábito de consumo de café está mudando no Brasil, e principalmente, no Recife. Um movimento semelhante ao que aconteceu com as cervejas artesanais, que é esse processo de gourmetização”, afirma Clériston Bayer, um dos sócios da Cordel. Um mimo do espaço é a oferta de pratos tendo como ingrediente grãos de café com cardápio assinado pela chef Miau Caldas.

Um diferencial desses espaços em relação à boa parte dos estabelecimentos da cidade é o atendimento. O esforço na apresentação dos profissionais que estão na ponta com o cliente é fruto da exigência desses mesmos consumidores. No relato de todas as cafeterias, essa clientela deseja conhecer a origem e características dos grãos (que vêm das mais diversas partes do Brasil e do mundo), além de aprender sobre as diferentes formas de preparo da bebida. “O que destaca essas cafeterias são justamente os melhores ambientes e a melhor qualidade no atendimento. O que é entregue não é só a bebida, mas uma experiência de café. E o café especial é isso: do grão à xícara, ter pessoas envolvidas no processo que entregam ao consumidor final um produto que leva consigo conhecimento e qualidade”, afirma o sócio-diretor do CoffeeBar, Alexandre Ventura.

Outra tendência desses espaços especializados é também oferecer seus próprios cafés em pó, com a marca e estilo do estabelecimento, para que a clientela possa prepará-los em casa. Um nicho já abraçado tanto pela Malakoff como pela Cordel. “Nos Estados Unidos, cerca de 55% das cafeterias são especiais e apostam também nessa perspectiva de vender produtos diferenciados para que o visitante os leve para consumo na residência”, compara Ventura. Ele afirma que 60% do consumo da bebida no Brasil advém do varejo e é consumido nos domicílios. Esse caminho, segundo o sócio-diretor do CoffeeBar, possui grande potencial de inclusão do público mais jovem, que tem aderido à bebida como item indispensável no seu cotidiano.

Para o especialista em cafés e fundador da Casa do Barista (RJ), Emílio Rodrigues, o movimento que acontece no Recife destaca-se do cenário nacional pela conexão desses espaços para promover de forma conjunta o consumo dos cafés especiais. “A união desses estabelecimentos para discutir estratégias de marketing e facilitar o acesso dos consumidores é um movimento inovador no País. Ações como a do cartão infidelidade são pioneiras e o Recife está saindo na frente nesse segmento no mercado nacional”, salienta. “Aqui estão sendo feitas ações que estão fora da curva”, ressalta o especialista.
Além das ações conjuntas, que começaram por um singelo grupo de WhatsApp, a articulação dos empresários do segmento conseguiu também uma atenção maior do Sebrae que, através da gerência de projetos de alimentos e bebidas, oferece consultoria e incentiva o empreendedorismo na área.

Espaços charmosos, gestão profissionalizada e a clientela disposta a pagar um pouco mais pela qualidade são os ingredientes que estão fazendo esse segmento, de grão em grão, se consolidar.

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