Assine

Bullying nos games: o que fazer?
Breno Carvalho

Bullying nos games: o que fazer?

Publicado em 08/10/2021 por Breno Carvalho às 5:00
Gamers profissionais também sofrem bullying. Foto: DCStudio - br.freepik.com

É ‘corriqueiro’ as pessoas pensarem que no mundo dos jogos tudo é uma maravilha, todo mundo se divertindo, tudo numa boa, bom, em partes. Mas tu não sabe de nada: é que até nos games existe um tal de Bullying. Pense numa ‘desgrama’!!!

Não bastassem os desafios dos próprios jogos, seja jogando contra o computador, ou até mesmo nas partidas multiplayers para definir quem é melhor ou mais ‘desenrolados’, ai vem uns ‘cablocos’ para ficar falando besteria, intimidando e até mesmo tirando a autoestima dos gamers, principalmente das minas e de jogadores LGBTQ+.

Mas essa situação não ocorre com jogadores ruins ou amadores, mas até com jogadores profissionais, pois além da questão competitiva, a necessidade de melhorar cada vez mais a performance, de atingir as metas, e se o gamer ‘vacila’ em uma partida, pronto, deu margem para o bullying, seja por parte do público ou até por agentes do time. E isso tem levado esse público a ter problemas emocionais, isso existe?

Repare, existe até o termo jogadores tóxicos, ‘misericórdia’, que realizam esses comportamentos lastimáveis no mundo digital, seja dentro de uma partida ou noas redes sociais. A coisa é tão séria que algumas plataformas de jogos online aplicam algum tipo de punição, que pode ser uma advertência ou até o banimento, em casos de reincidência ou por causa do nível de toxicidade de suas ações.

Segundo um estudo de 2019 da ONG Anti-Defamation League, 74% dos jogadores norte-americanos sofreram bullying durante uma partida, já pensasse. E tem mais, 65% dos entrevistados falaram ter sofrido um assédio da gota serena, como ameaças físicas e perseguição. Tu imaginava isso meu ‘véi’, minha ‘véia’? Gente assim eu quero é distância, né verdade!!!

Esse tema não é de hoje, tanto que o estúdio Rockstar Vancouver desenvolveu o game Bully, lançado em outubro de 2006 para PlayStation 2 pela Rockstar Games. O jogo apresentava o personagem Jimmy Hopkins, um metido um valentão da escola, mais conhecido por amedrontar ou estudantes. O game dá a opção de você escolher ser um ‘cabloco’ desgramado ou um herói que protege os mais fracos, e ai, meu véi, minha veia, você escolheria o quê?

Mas voltando a questão do bullying, como fiquei ‘encasquetado’ com essa situação, principalmente, por estarmos ainda nessa triste pandemia da Covid-19, que não acabou ainda né mesmo, o que tem levado jogadores e jogadoras a ficarem estressados, ansiosos ou com sintomas de depressão pelo isolamento social, então fui bater um dedo de prosa com Dr. Victor Kurita, médico que vem trabalhando com a Medicina Integrativa, nome bonito ‘danado’.

Confira a nossa prosa!

Cabra Nerd – Como esse tal de bullying pode afetar os gamers?

Dr. Victor Kurita – O bullying é a intimidação, caracterizada por intenção hostil, desequilíbrio de poder de forças e repetição deste ato sobre um período de tempo. Pode ser dividido em sub categorias, uma delas é o cyberbullying, onde as pessoas usam sites e redes sociais para exercer a intimidação verbal e psicológica em outras pessoas.
O estereótipo dos gamers é de uma criança ou adolescente mais fechado e com pouca interação, e em ambientes escolares eles se sentem inferiorizados e consequentemente imergem mais no mundo dos games. Graças ao mundo lúdico que os games proporcionam, esses adolescentes são tratados de forma mais igualitária. No ambiente físico e social, são vítimas maiores desses ataques, e dentro dos jogos isso não ocorre. Essa imersão faz com que os jovens se escondam cada vez mais atrás da tela de um computador.

 

Cabra Nerd – Como os gamers devem trabalhar o emocional sobre a questão dos comentários ‘felas da gaita’, ou melhor, abusivos?

Dr. Victor Kurita – Geralmente as pessoas perguntam porque uma crítica tem peso maior do que um elogio. A explicação fisiológica é que, no elogio, há uma liberação maciça de neurotransmissores como endorfina. Na crítica, exalamos cortisol, que rege nossa reação de ataque e fuga (conhecido como hormônio de estresse, que é uma reação diferente do que gostaria). As críticas são mais agressivas de forma fisiológica.
Nesse mundo, é cada vez mais crescente o número de haters, que são pessoas que criticam, intimidam e agridem através de redes sociais, sejam do meio delas ou não, e se torna um comportamento repetitivo. As pessoas que se expõem estão sujeitas a isso o tempo todo, é importante entender que esses haters existem e precisam de um tratamento psicoterapêutico. Há dois modos de combater:

1. entender que estamos todos sujeitos a receber esse tipo de comentários;

2. sempre vangloriar e potencializar todos os elogios feitos para liberar mais endorfina.

 

Cabra Nerd – Porque a questão de ódio, chacota ou bullying ainda acontece no mundo de hoje, o que leva uma ‘trepeça’ a fazer isso?

Dr. Victor Kurita – O bullying só se tornou uma denominação, mas a espécie humana sofre com isso desde os primórdios. Sempre há a necessidade do exercício de poder dos mais fortes para os mais fracos e a necessidade egocêntrica de mostrar aos outros que estão assistindo.
Estudos dentro da psicologia analisaram desenhos animados onde viram que os super heróis atacavam apenas um inimigo e crianças em idade escolar. O resultado foi que esses desenhos estimulam a união de um grupo de pessoas para atacar um único ser, geralmente escolhido por ter alguma alteração física ou ser diferente fisicamente, ou crianças mais isoladas. O bullying vai se mantendo e a possibilidade de fazer isso através de telas de computador é mais fácil porque a pessoa não se expõe e ainda pode exercer esse poder.

 

Cabra Nerd – Quais são as dicas para combatê-lo?

Dr. Victor Kurita – É bem delicado, porque existe a necessidade de uma função integrativa entre educadores, pais e adolescentes a fim de minimizar o comportamento de ódio violento e agressivo dentro de casa e nas escolas. A punição de forma verbal ou que ajude na conscientização é muito importante. Quanto à vítima, é importante que educadores e pais prestem atenção à mudança de comportamento, que pode ser o distanciamento e isolamento social, imersão contínua nos games, a dificuldade de ter uma relação saudável presencialmente. Uma vez esses bullyings sendo sofridos em qualquer ambiente, é muito difícil observar esses fatos, porém esses atos podem gerar mudanças.
Uma vez tendo mudanças, é importante ter diálogo, mas se isso for difícil, é bom que essas pessoas sejam levadas à psicoterapias e psicólogos para amenizar tais sentimentos e não trazer futuras consequências.


Cabra Nerd – O que as empresas e patrocinadores vêm trabalhando sobre esse tema?

Dr. Victor Kurita – A necessidade de toda a sociedade se unir para que não aconteça o bullying é muito importante. Ações como mostrar que todos somos iguais tem que ser enraizadas e disseminadas, ensinadas principalmente para as crianças na primeira infância a fim de que eles entendam que cada um tem suas particularidades e todos devem ser respeitados. Empresas e patrocinadores devem ressaltar que todos os atletas são respeitados pelas qualidades e não pelos defeitos, que a parte física não importa, mas deve ser elogiado pela competência. O eSport é um dos únicos esportes que tem democratização e pode juntar níveis sociais, culturais, características físicas e sociais. Isso gera uma ideologia onde o bullying deve ser combatido e banido.

 

Cabra Nerd – Tens algum exemplo de quem sofreu bullying e conseguiu superar?

Dr. Victor Kurita – Eu sou um exemplo de superação de bullying. Na minha primeira infância, estudei em uma escola onde eu era um dos poucos orientais e sofri bullying. O único modo que conseguia me diferenciar era estudando. Me enfiei nos livros e só tirava notas altas, mas continuava sofrendo bullying todos os dias pós escola, por ter me distanciando e me diferenciado com relação às notas. Com o passar dos anos, com a ajuda de alguns profissionais de psicologia, eu entendi que tinha minhas qualidades e eles me ensinaram a cuidar dessas qualidades. Fisicamente cuidei do meu corpo e me tornei fisiculturista; mentalmente estudei e virei médico, construindo uma carreira, e isso me trouxe uma paz interior. É uma terapêutica importante é multidisciplinar e precisamos de apoio de amigos, familiares, professores e da própria sociedade.

Estão vendo só, então não dê bola para essas ‘trepeças’ que só querem te deixar para baixo. O melhor é se cuidar, conversar com familiares e amigos, se isto estiver acontecendo, pensar positivamente e fazer como Buzz Lightyear, para o Infinito e além!!!!

Para continuar lendo:
Tenha acesso a 5 textos
gratuitos todo mês
Cadastre-se gratuitamente »
Aproveite todo conteúdo da Revista Algomais sem limites
Assine »