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As lições da campanha de vacinação de Israel para o Brasil
Rafael Dantas

As lições da campanha de vacinação de Israel para o Brasil

Publicado em 02/02/2021 por Revista algomais às 5:15
A recifense Débora de Souza Leão vive em Israel e conta como tem sido a campanha de imunização do País.

Israel lidera com sobra a campanha de vacinação no mundo. Mais da metade da sua população (56,2%) já foi imunizada da Covid-19 com pelo menos uma dose. O segundo lugar nesse ranking da corrida contra a pandemia é dos Emirados Árabes Unidos, com 34,8%. O Brasil alcançou apenas 1% da sua população, mesmo tendo duas grandes fábricas de vacina instaladas no País.

O primeiro dado super animador da campanha de vacinação de Israel é o fato de que as internações de idosos caíram 60% em apenas três semanas. Outro número revelador é que entre todos os imunizados com duas doses, apenas 0,04% foram infectados pelo vírus e somente 0,02% precisou de atendimento médico. Em outras palavras, das 715 mil pessoas que receberam as duas doses, somente 16 necessitaram ir ao hospital.

Gráfico dos líderes da campanha de imunização. Clique pra ampliar.

Uma recifense em Israel

Débora de Souza Leão Albuquerque mora na cidade de Haifa, no norte do país, desde novembro de 2019. Pernambucana, ela se mudou para Israel por vários motivos, entre eles gostar de ciência e tecnologia e admirar o povo judeu. “A história de superação e vitórias desse povo, a dedicação aos estudos e suas contribuições para a humanidade são evidentes. Albert Sabin, por exemplo, desenvolveu a vacina oral (famosa “gotinha”) para a poliomielite. Selman Abraham descobriu a estreptomicina, importante para o tratamento da tuberculose. Waldemar Mordecai Haffkine criou a primeira vacina contra a cólera. Vários são os judeus que contribuíram para as ciências como Sigmund Freud, Albert Einstein, Paul Krugman… Sem falar no último ganhador do prêmio nobel de medicina, Harvey J. Alter, cujo trabalho, que remonta às décadas de 1970 e 1980, resultou no descobrimento do vírus da hepatite C, ajudando a salvar milhões de vidas. Apesar de corresponder a apenas 0,2% da população mundial, os judeus receberam aproximadamente 22% de todos os Prêmios Nobeis já distribuídos até hoje”, afirma sobre a sua admiração do povo israelita.

Débora conta que Israel possui excelentes universidades, sendo a Universidade Hebraica de Jerusalém aquela que está entre as 100 melhores do mundo. Isso a atraiu com o sonho de fazer doutorado no exterior. Mestre stricto sensu em Engenharia Elétrica por uma universidade brasileira, ela foi então estudante em tempo integral durante os primeiros dez meses após ter chegado ao país e após isso recebeu uma grande proposta para trabalhar em uma empresa de alta tecnologia – segurança cibernética – e decidiu adiar um pouco o sonho de ser doutora.

Sobre a pandemia em Israel, Débora conta que no final do ano passado, a cada 24h, aproximadamente dez mil pessoas testavam positivo para o coronavírus. Atualmente esse número caiu para cerca de dois mil. “Esse resultado animador também é consequência de um conjunto de políticas públicas liderada pelo Estado Judeu visando o controle da doença”. Mesmo liderando a vacinação do mundo, Israel ainda tem hoje o seu terceiro lockdown, desta vez parcial, que começou ainda em dezembro. “Desde o início da pandemia o governo central tem tomado medidas e comunicado as diretrizes sobre enfrentamento da doença para a população. E, no geral, o povo acata o que é decidido”.

Ela conta que o isolamento social em Israel funciona da seguinte maneira: “A não ser em caso de emergência e poucas exceções, não podemos nos afastar em mais de 1km de nossas casas. As áreas de lazer, os escritórios ou lojas comerciais que recebem o público estão fechados. Hoje mesmo eu só saí de casa para ir ao supermercado no mesmo bairro as 17h30 e as ruas estavam muito desertas. As poucas pessoas que eu vi usavam máscaras e respeitavam o distanciamento de, no mínimo, 2 metros entre os demais. Somos muito incentivados a fazer os testes. Eles são gratuitos e são muitos os lugares de testagem. Há três semanas eu precisei fazer o teste e fiquei impressionada com a organização, cuidado e agilidade do processo”.
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O primeiro ministro Benjamin Netanyahu foi o primeiro imunizado no País

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A cereja do bolo desse processo de enfrentamento ao novo coronavírus, no entanto é a vacinação. É nesse ponto que Israel nada de braçada a frente do mundo. “Também somos incentivados a tomar a vacina. Para encorajar o povo, as autoridades se vacinaram primeiro e a população tem seguido o exemplo dos líderes. Podemos agendar a vacinação pelo celular. Vários conhecidos meus já tomaram as duas doses da vacina da Pfizer e relataram sucesso, não apresentando efeito colateral algum. A vacinação começou pelos grupos de risco e profissionais de saúde. Depois foi sendo liberada para a população mais jovem. Ainda não está disponível para minha faixa etária, mas assim que estiver, irei tomar”.

TECNOLOGIA EM DESENVOLVIMENTO

Débora revela que considera a população muito segura de que o Estado está as protegendo da pandemia e Israel em breve deverá ter também o seu próprio imunizante. “Muito em breve Israel estará produzindo sua própria vacina, graças ao investimento em educação, ciência e tecnologia de longo prazo. O país já está produzindo máscaras e produtos como purificador de ar até para exportação. É o caso dos 400 ônibus do Reino Unido que implantaram a solução de purificação de ar, eficaz contra o coronavírus, produzido por uma Startup israelense; uma esperança para a indústria do turismo!”

Nesse contexto de controle da pandemia, ela explica que suas perspectivas para 2021 são boas. “O Estado tem agido com rapidez e estratégia para proteger a vida dos habitantes, sejam eles árabes, muçulmanos, cristãos, druzos ou judeus. Ele tem cuidado das finanças da população também, oferecendo rendas periódicas que caem direto em nossas contas corrente, diversos programas de assistência social, reduzido burocracias para o acesso ao seguro desemprego, cursos de capacitação e etc”.

O novo desafio que se impõe ao País é justamente o combate às novas variantes do vírus que têm surgido no mundo. “Quando o vírus passa de uma pessoa para outra, ele sofre pequenas modificações em seu código genético e a vacina pode não ser eficaz contra essas novas formas virais. Assim, quanto menos o vírus circular, mais seguros estaremos.” Débora conta que esta é a razão de Israel seguir promovendo campanhas de conscientização do uso de máscaras, impondo os “lockdowns”, além de distribuir vacinas até para os transeuntes de seu território. “A saída da pandemia está longe de ser individual: quanto mais gente saudável, mais seguros estarão todos. Provavelmente, a preocupação com o coletivo será crescente em nosso cotidiano, pelo menos enquanto durar essa luta dos seres humanos contra o novo vírus”.

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