Estudantes de Nazaré da Mata usam pintura em grafite para transformarem paisagem

A iniciativa acontece no bairro do Alto da Santa, uma das áreas mais populosa e violentas da cidade. O trabalho, pioneiro no município, tem como proposta fomentar o empreendedorismo dos jovens, por meio das artes visuais. Além disso, ser um instrumento social na redução da insegurança urbana e estímulo ao turismo da localidade

Cerca de quinze meninos e meninas negras, de 16 a 24 anos, estudantes de escolas públicas, moradores do bairro do Alto da Santa, uma das áreas mais violentas e carentes da cidade de Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, se juntaram para transformarem a paisagem do próprio local onde vivem. Munidos de tintas, pincéis e boas ideias, eles colorem muros, ruas, praças, escolas, entre outros locais. A arte, que vem transformando a paisagem do bairro onde nasceram e vivem os jovens, é inspirada na cultura local do Maracatu Rural, uma das importantes manifestações de cultura popular do Estado, que é Patrimônio Cultural do Brasil.

A iniciativa faz parte do Projeto Nossa História, Nossa Cultura – a arte visual que nos inspira, educa e transforma, e que tem o apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte). O projeto, iniciado em fevereiro deste ano, vem capacitando adolescentes e jovens em várias atividades. A primeira delas foi ligada ao artesanato. Logo depois, em fotografia com o celular. E, agora, chegou a uma das etapas mais importantes, a oficina de grafite. Até junho, os participantes terão, ainda, oficina de marketing cultural. Tudo realizado gratuitamente.

A realização da pintura em grafite no bairro é uma atividade inédita. As aulas acontecem às quartas-feiras, das 14h às 17h; e aos sábados, das 9h às 12h. Duas vezes por semana os alunos se encontram no Centro de Referência da Assistência Social (Cras), espaço mantido pela Prefeitura de Nazaré da Mata, dentro do bairro. De lá, eles seguem munidos de todos os materiais, para o local escolhido por eles próprios para ser pintado. Todo o trabalho conta com orientação do professor, Adelson Boris, contratado pelo projeto. Cabe a ele instruir cada participante sobre as pinturas, técnicas e formas que será aplicada no local escolhido.

Quem convive na comunidade sabe que os desafios sociais e de infraestrutura são uma realidade do cotidiano. A localidade é considerada uma das mais violentas da cidade de Nazaré da Mata. Além disso, dispõe de poucas opções de lazer para os jovens. Seu entorno é composto por três grandes complexos de comunidades. São os loteamentos da Vila Madalena, Pedregulho e o bairro da Estação. Apesar da problemática social, a área conta com uma rede de serviços comerciais, saúde e educação, com padaria, supermercado, posto de saúde e escola. Segundo dados da prefeitura, mais de 10 mil famílias convivem na área.

A proposta oficina de grafite dentro do Projeto Nossa História, Nossa Cultura é criar cerca de quinze painéis de grafite, que abordem a temática do maracatu rural, brincadeira popular que existe há mais de 100 anos na cidade. A pintura, feita a partir do olhar dos estudantes, busca ser um instrumento social na transformação da realidade onde vivem. “ É motivo de muita realização poder fazer este trabalho na nossa comunidade. Acreditamos que o protagonismo dos jovens, aliado a importância que o grafite tem para o universo da arte, juntos, vamos mudar o lugar que escolhemos para viver, tornando-o ainda mais cheio de cores, alegria e muito alto-astral” destaca o jornalista e coordenador do projeto, Salatiel Cícero. Ele acrescenta, ainda, que a atividade tem como proposta capacitar os jovens para o empreendedorismo, por meio das artes visuais. “ Esperamos que os jovens possam, após o projeto, realizar seus trabalhos de grafite independente e ter sua própria renda”, finaliza.

O projeto foi finalista do Prêmio Funarte Artes Visuais – Periferias e Interiores 2021/2022, no qual disputou com mais de 800 iniciativas no País, ficando entre as 16 melhores do Brasil. Os painéis de grafite devem ficar prontos até o início de junho. Em seguida, será realizada uma agenda de visitações pelos locais que receberam a intervenção, uma maneira de apresentar a arte dos estudantes e construir uma rota turística no bairro.

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