Procura por serviços de saúde mental aumentou 80% por empresas da indústria

Como as empresas estão lidando com o quadro acentuado de estresse e ansiedade das suas equipes? Ao menos no setor industrial, o Sesi informa que em um ano houve um aumento de 80% da procura por serviços de saúde mental. Na análise de Lívia Rabelo, que é analista de qualidade de vida do Sesi em Pernambuco, esse movimento revela a preocupação das corporações com seus trabalhadores. “Esse é o principal desafio para as empresas. São as pessoas que geram renda e resultados. Se elas não estiverem saudáveis física e mentalmente haverá um grande impacto social e na economia. É essencial esse olhar para os trabalhadores”, afirma.

Livia afirma que há uma percepção do aumento das ações no setor da indústria no cuidado com a saúde física dos seus trabalhadores, mas essa procura é maior sobre a saúde mental, que vem trazendo impactos para a produtividade do setor. “O cenário que temos vivido desde o ano passado é totalmente novo. As indústrias estão tendo também que se adaptar a todas as mudanças. E o momento que estamos estamos vivendo da pandemia, segundo a OMS, é marcado pelo aumento dos transtornos mentais e traumas psicológicos”.

Ela lembra que uma pesquisa recente da IPSOS, encomendada pelo Fórum Econômico Global, revelou que a saúde mental de 53% dos brasileiros piorou no último ano. “Muitos desses são profissionais da indústria e trabalhadores ativos. Isso vem trazendo impacto grande nesse ambiente de trabalho”.

Além do próprio medo da doença, as mudanças bruscas nas rotinas de trabalho que foram impostas pela pandemia, seja para um serviço remoto, híbrido ou mesmo presencial, contribuíram para o aumento do estresse laboral.  “O home office trouxe grandes dificuldades, pois as casas em geral não tem estrutura adequada para as reuniões virtuais. É preciso compartilhar espaços com companheiros e filhos. Isso traz tensão e desgaste. Para quem segue no trabalho presencial há um medo constante da contaminação e transmissão com seus familiares, muitos convivem com pessoas dos grupos de risco. Tudo isso gera impactos na saúde mental, além do estresse normal do trabalho”.

Livia relata que de acordo com dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, houve um aumento de 33,7% das concessões de auxílio doença por causa de transtornos mentais em 2020. Todo o cenário de medo, ansiedade e estresse que temos vivido tem resultado no aumento do número de afastamentos do trabalho, a partir de questões relacionadas aos transtornos mentais, e também do presenteísmo. “Isso tem relação com a perda de produtividade. Absenteismo é ausencia. Mas tem profissionais que estão presentes, mas a carga emocional é tão forte que eles não conseguem produzir bem. Presenteísmo está relacionado aos profissionais que estão presentes, mas não produzem o que poderiam produzir”.

A analista do Sesi Pernambuco conta que os programas com foco na saúde mental oferecem serviços como consultas com psicólogos, lives, roda de conversa (que podem ser ser presenciais, seguindo os protocolos de segurança, ou também virtuais), aconselhamento individual, escuta ativa para o trabalhador, além da circulação de pequenos vídeos com dicas. Ações que trazem retornos reais para as empresas e para a vida produtivas dos profissionais. “De acordo com a OMS, cada euro investido em tratamento para depressão e ansiedade traz o retorno de 4 euros para saúde e capacidade de trabalho. Existe um retorno para os investimentos relacionados aos programas de saúde mental dos trabalhadores”.

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